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Compartilhar conhecimento é uma boa forma de empreender

A experiência adquirida ao longo de uma vida pode ir além da oferta da força de trabalho. Auxiliados pela grande capacidade de divulgação da internet, cursos, oficinas, workshops e serviços de consultoria despontam não apenas como possibilidades de difusã

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A experiência adquirida ao longo de uma vida pode ir além da oferta da força de trabalho. Auxiliados pela grande capacidade de divulgação da internet, cursos, oficinas, workshops e serviços de consultoria despontam não apenas como possibilidades de difusão da informação, mas também como mais uma chance de negócio para quem busca empreender.

Aos 37 anos, Elizângela Camarão decidiu aproveitar o gosto e o talento para a área da beleza para se profissionalizar. O curso escolhido, ainda em abril de 2017, foi o de maquiadora profissional. Após o término da formação, as clientes começaram a surgir impulsionadas pela divulgação realizada por meio das redes sociais. Mas Elizângela queria ampliar as possibilidades.

Sem deixar de investir na própria formação, a maquiadora profissional viu no conhecimento adquirido em vários cursos realizados ao longo de 2017 uma oportunidade de incrementar o faturamento. Em novembro, ela também agregou aos demais certificados já conquistados, o de instrutora de maquiagem. “Eu comecei a ministrar cursos de automaquiagem e de maquiador profissional”, enumera. “Eu continuo maquiando, mas os cursos são os quegeram mais renda”.

Desde novembro, 13 pessoas passaram pelos cursos que Elizângela ministra e a expectativa é de que o número aumente a partir da criação de uma escola de maquiagem. Plano que já começou a ser colocado em prática. “Eu já comecei a ampliar o meu espaço – em sua residência - e a previsão é de que eu consiga abrir a escola em março deste ano”. Com a escola, os cursos oferecidos passarão dos atuais três dias, para um mês de duração.

Atuando na área de cultivo de plantas, o engenheiro agrônomo Rômulo Almeida, 27, também já tem planos para aperfeiçoar os cursos e oficinas que passou a oferecer desde que concluiu a graduação. O jovem planeja e divulga, também por meio das redes sociais, oficinas de técnicas de jardinagem, terrário, hortas, entre outras.

O engenheiro agrônomo Rômulo realiza cursos e oficinas de cultivo de plantas desde que concluiu a graduação. (Foto: Antônio Melo/Diário do Pará)

OFICINAS

No ano passado, Rômulo e sua sócia Bruna Lima promoveram 3 oficinas. Para as outras 3 que já têm programadas para janeiro, fevereiro e março deste ano, eles já se preparam para disponibilizar certificados de participação. “A gente vai percebendo algumas necessidades a partir do próprio diálogo com as pessoas que participam das oficinas”, explica, ao lembrar que também já está se especializando na área de paisagismo.

Foi ainda durante a faculdade que ele percebeu a necessidade de oferta de cursos voltados para a área e tomou a iniciativa de compartilhar o conhecimento que ele construiu ao longo de sua formação. As oficinas, realizadas no Espaço Cultural Bangalô, conciliam teoria e prática.

Para que isso fosse possível, o esforço principal esteve centralizado na vontade de fazer acontecer. “A ideia é passar esse conhecimento em forma de técnica para levar mais verde para a vida das pessoas. Então, montamos uma arte, gravamos vídeos e começamos a divulgar pela internet”.

INTERNET É CADA VEZ MAIS USDA PARA QUALIFICAÇÃO

Para além de ferramenta principal de divulgação, em alguns casos a internet passa a ser, também, o próprio meio que oportuniza a difusão do conhecimento através de cursos e oficinas. Tal possibilidade se mostrou eficiente para o publicitário e estrategista digital Gustavo Nogueira, 30.

Gustavo mora em Amsterdam e investirá ainda mais em cursos online. (Foto: Divulgação)

Em janeiro de 2017, Gustavo foi convidado a ministrar uma aula em Belém. Porém, ele estava em férias no Chile. Foi, então, que surgiu o primeiro projeto de aula online. A experiência com a área da educação iniciou muito antes disso. Durante a graduação, em 2008, Gustavo percebeu o potencial de projetos ligados à difusão do conhecimento e, junto aos colegas de faculdade, participou da organização da Semana de Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA). Nos anos seguintes, tocou de forma independente uma edição digital “voltada para o encontro entre academia e mercado de trabalho sobre comunicação digital,internet e tecnologia”.

INTERESSE

O interesse pela área continuou e ele encontrou oportunidades de desenvolver projetos nas empresas em que trabalhou em Belém, São Paulo e Porto Alegre. O projeto atual, o Fractal, surgiu através de uma escola livre de cursos criativos, a Perestroika. Dentro da plataforma, o curso ministrado por Gustavo aborda a visão, processos e ferramentas de novos protagonistas da comunicação que estão transformando o mercado.

Entre 2016 e 2017 foram realizadas 20 edições presenciais do curso entre Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. No final de 2017, Gustavo mudou-se para Amsterdam e é de lá que ministrará a 1ª turma online completa do Fractal. “Mudei tendo a certeza de que esse caminho me permite continuar absorvendo novos conhecimentos em qualquer lugar do mundo e os compartilhando com as turmas no Brasil”.

INVESTINDO EM CURSO DE COACHING

Foi com o mesmo propósito de abranger o Brasil, que a psicóloga e máster coach de carreira Thayana Benmuyal Barroso, 33 anos, decidiu ofertar cursos online de coaching. Como ela não queria focar seu trabalho apenas em Belém, passou a fazer uso de ferramentas como o Skype e o Youtube e hoje consegue, da capital paraense, atender a clientes de Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro. “Através da disponibilização de um link é possível marcar um ‘local’ e hora para o grupo se encontrar e participar do curso”, explica. “Eu também gravo as aulas em vídeo e disponibilizo nomeu canal no Youtube”.

Thayana usa ferramentas como Skype e o YouTube para ministrar cursos. (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)

EXPERIÊNCIA

Assim como Gustavo, Thayana também viu na experiência e conhecimento adquiridos ao longo da atuação profissional uma oportunidade de desenvolver o seu próprio negócio. O aprendizado conquistado durante a atuação, por nove anos, como gerente de recursos humanos de um grande grupo de supermercados foi aprimorada com a realização do curso necessário para que se tornasse coach. O curso foi realizado em 2013 e, em 2014, ela começou a atender.

Os primeiros clientes foram os amigos, depois vieram os conhecidos dos amigos e, quando ela se deu conta, já estava atendendo pessoas que não conhecia. O negócio voltado para a orientação de carreira cresceu ao ponto de Thayana ter de escolher entre o emprego que possuía e a dedicação exclusiva ao seu negócio. “Hoje eu já entendi que o meu propósito é ajudar as pessoas. Então eu trabalhocom essa missão”.

Sobre cursos e oficinas ministrados por meio de redes sociais, Miguel Pantoja, gerente da unidade de soluções e inovação do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PA), explica que, nos últimos 10 anos, a internet se tornou um meio maior de adquirir conhecimento e até uma renda. “É uma tendência. Temos uma realidade nacional de desempregados, onde o maior problema da maioria é a qualificação profissional. Em contrapartida, há pessoas que possuem conhecimento avançado, que acumulam experiências e podem colocar o conhecimento a disposição do mercado”, diz.

MERCADO

No que diz respeito aos cursos à distância, Miguel afirma que o mercado tem aceitado cada vez mais profissionais qualificados dessa forma. Por outro lado, alguns mitos ainda não foram rompidos. “Há empresas que avaliam carga horária e ainda resistem uma formação a distância. No entanto, o cotidiano e as novas mídias têm oferecido produtos, informações e capacitação que têmmudado esse cenário”.

Dependendo do que esteja sendo ofertado, se definirá como e quais os meios em que o produto será desenvolvido para alcançar o objetivo. “Se for um vídeo mostrando sobre ciclismo, basta o conhecimento. Mas, se for sobre culinária, pode haver material impresso em lugar indicado para que o cliente venha consumir também”.

Para quem pretende apostar na internet, seja em busca de conhecimento ou como fonte de renda, Miguel diz que, como todo negócio, tem seus riscos de mercado. “Todo negócio planejado tem 60% de chance de dar certo, independentemente se é presencial ou a distância”. “Quem está ofertando e quem está recebendo deve entender que estará investindo em algo profissional, que vai agregar conhecimento e dedicará tempopara aquilo”, orienta.

INVESTIMENTO EM CURSOS VIRTUAIS

Buscar informação – conversar com outras pessoas sobre a ideia, saber se consumiriam o produto

Buscar referências – se for algo que já existe no mercado, procurar saber os pontos positivos e negativos do negócio, saber o que já foi feito, o que há disponível, o que pode ser feito de novo e como desenvolver isso

Planejamento – nessa fase irá analisar o mercado, fornecedor, concorrente, cliente, quem é o público alvo, quanto será o investimento, qual a plataforma específica para atingir o objetivo, analisar os recursos de material, humanos, propaganda e manter o monitoramento para saber qual será o retorno.

PARA QUEM BUSCAR O PRODUTO

Buscar referências da empresa ou do empreendedor, com pessoas próximas, que já adquiriram o produto/serviço, mesmo na internet, endereço (caso haja local físico) e telefone

Verificar se o valor é compatível com a qualidade do serviço/produto que estiver sendo ofertado.

(Cintia Magno Michelle Daniel/Diário do Pará)

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