Com obras iniciadas há quase seis anos, somente ontem de manhã o BRT Belém teve seu projeto de licitação de linhas para funcionamento, programado para ocorrer a partir de fevereiro, discutido em audiência pública, no auditório do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). Além do próprio prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB), que participou, mas foi embora antes que abrissem o microfone para que a plateia pudesse fazer perguntas e sugestões, estiveram presentes autoridades e técnicos que explanaram amplamente as premissas das linhas iniciais do cronograma licitatório, mas não conseguiram convencer quem tem os dois pés atrás com a prometida eficácia de uma intervenção que até agora causou mais transtornos do que benefícios à população.
Engenheiro civil em Transportes pela Universidade de Brasília e consultor na área de planejamento de transportes há 15 anos, George Teixeira esmiuçou o projeto. Ele iniciou lembrando que o foco do processo licitatório é garantir legalidade ao serviço, além de promover a melhoria da qualidade e uma maior fiscalização. Falou em datas, adiantou que a sonhada integração tarifária precisa se concretizar em até seis meses a partir da vigência do contrato dos futuros concessionários - que serão dois, contra as 14 empresas que operam hoje, em regime de permissão.
FALTA CONFORTO
Mas desagradou ao revelar que os planos da PMB em relação à evolução da frota com ar-condicionado, por exemplo, é de apenas 20% (10/10) nos primeiros dois anos e outros 20% nos últimos quatro da concessão, divididos em 5% anuais. Quando chegou sua vez de falar, defendendo a estratégia, Zenaldo lembrou que a população precisa fazer uma ponderação “entre o transporte público dos sonhos e o transporte público que se pode ter em termos financeiros”. Ao ser aplaudido por esse posicionamento, foi possível perceber que no não muito grande auditório do MPPA havia muito mais correligionários do que representantes da população que realmente depende do transporte público diário.
Às 11h40 o cerimonial abriu o microfone para perguntas, e rapidamente só sobraram ali mesmo George, Grossinho e Mendonça. A partir de então foi uma chuva de críticas.
Moradora de Icoaraci, Leila Rosa pediu o microfone para dizer que essa é uma discussão que precisa ocorrer em Outeiro, Mosqueiro, Icoaraci, cujas linhas em funcionamento não operam em sua totalidade e ainda com muitas restrições. “Só quem faz esse percurso diariamente sabe o que é. No calor, quando o sol está muito forte ou se molhando mesmo com o ônibus fechado porque a água vaza pelo teto quando chove”, denunciou.
O vereador Fernando Carneiro, que integra a bancada de oposição na CMB pelo PSOL, criticou o projeto apresentado. “Depois de hoje, já vamos para esferas decisórias. Uma única audiência com 150 pessoas para definir algo que vai mudar a vida de mais de um milhão de pessoas”, lamentou, ao mesmo tempo em que se diz a favor da licitação pela questão da legalidade
(Carol Menezes/Diário do Pará)
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