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Comerciantes perderam ganhos extras com mudança no Carnaval de Belém

José Maria Ferraz Gomes, 64 anos, é comerciante e há 34 mantém uma mercearia na avenida Pedro Miranda, esquina com a travessa Alferes Costa, no bairro da Pedreira, em Belém, bem perto da Aldeia Amazônica. Com a suspensão do desfile de Carnaval no ano pass

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José Maria Ferraz Gomes, 64 anos, é comerciante e há 34 mantém uma mercearia na avenida Pedro Miranda, esquina com a travessa Alferes Costa, no bairro da Pedreira, em Belém, bem perto da Aldeia Amazônica. Com a suspensão do desfile de Carnaval no ano passado no local e a mudança este ano para a avenida Marechal Hermes, no bairro do Reduto, ele reclama da falta de movimentação de clientes e, consequentemente, da perda de um lucro extra que costumava conseguir no período.

“Era bem movimentado no final de janeiro. E a gente já conseguia vender mais porque já tinha trabalhador aqui colocando as cercas. E ainda tinham os quatro dias de Carnaval. Já são dois anos assim. É lamentável. Aqui já está construído, tem camarote, tem arquibancada, está tudo pronto e acredito que seria até mais barato”, comentou.

De acordo com a Prefeitura Municipal de Belém, a mudança no local do desfile das escolas foi uma sugestão da Liga das Escolas de Samba e que a decisão foi resultado de reuniões que ocorreram desde o ano passado entre representantes da Prefeitura, Ministério Público do Estado (MPE) e o Colegiado das Escolas de Samba de Belém. Um dos motivos alegados para a alteração do local foi a segurança: a avenida Marechal Hermes terá duas entradas de pedestres e veículos, com fiscalização e controle do fluxo de pessoas.Por outro lado, toda a infraestrutura de banheiros e arquibancada será custeada por fora, o que tem gerado críticas quanto aos gastos que se poderia evitar, caso a Aldeia Amazônica, inaugurada em 1998 exatamente para este fim, fosse utilizada. O deputado federal Edmilson Rodrigues, então prefeito da capital paraense e responsável pela obra, acredita que a não utilização da Aldeia Amazônica para o Carnaval é uma forma de deixar o espaço sucateado.

ESTRUTURA

“Mudaram até o nome do local porque quem não faz obra tenta crescer apagando a memória de quem fez”, afirma. “Na Aldeia não seria preciso isso (alugar estrutura), pois lá existe uma estrutura desenhada por excelentes arquitetos, com camarotes, banheiros em todos os andares, salas, camarins”, disse Edmilson.Outro comerciante da área, Sebastião da Silva Cardoso, 62, mora há muito tempo na avenida Pedro Miranda e agora amarga o “tempo das vacas magras”. “Para nós é péssimo. Carnaval aqui era bom porque dava para limpar os bolsos, pagar atrasos, quebrava um galho. Na época das micaretas era muito bom também, dava pra comprar até carro no final”, lembra. “Esse ano fica ruim para nós comerciantes e para ambulantes”, lamentou.Presidente da escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná, Fernando Gomes explica que a opção de fechar as vias para realizar o Carnaval se deu para que a Liga pudesse exercer o seu direito de arena. “Isso significa que vamos poder vender ingressos e camarotes, comercializar com marcas de cerveja. A gente procurou um lugar onde pudesse ter tranquilidade para o público se divertir. Na Aldeia existem residências e não podemos tirar as pessoas das suas casas”, explica Fernando Gomes.

PARA ENTENDER

- A então Aldeia Cabana Davi Miguel foi inaugurada há 20 anos, após ocorrerem mudanças no local dos desfiles do Carnaval de Belém. Antes, as escolas desfilavam pela avenida Visconde de Souza Franco, a Doca. Mas. por pressão de moradores, a folia passou para a avenida Presidente Vargas, que, novamente por pressão popular, deixou de ser o corredor dos desfiles.

- Depois de inúmeras reuniões, a avenida Pedro Miranda, que era uma área alagadiça, foi o local escolhido. Mas o projeto não se resumia a uma simples arena de desfiles carnavalescos.

- “Pensamos o projeto alinhado com a escola de Oscar Niemayer para que, além deste uso, também funcionasse como um centro de atendimento social, com oficinas para crianças e pais, atendimento de idosos, serviços de saúde e educação em geral, o que de fato começou a funcionar e agora tem pouca continuidade”, lembra Edmilson Rodrigues.

Resposta

A Prefeitura de Belém informou que parte das ações ainda ocorrem atualmente na Aldeia Amazônica, que abriga as sedes administrativas da Secretaria de Esporte, Juventude e Lazer (Sejel) e da Secretaria de Ordem Pública, além do Centro de Referência em Assistência Social (Cras) da Pedreira, vinculado à Funpapa. No local também funciona a Escola Municipal de Dança, vinculada à Sejel, que atende em torno de 400 pessoas. O Cras da Aldeia Amazônica também realiza atendimento do CadÚnico, que dá acesso aos programas do Governo Federal. E. O Cras da Aldeia Amazônica também realiza atendimento do CadÚnico que dá acesso aos programas do Governo Federal.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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