Terminou na manhã desta segunda-feira (5) o desfile oficial das escolas de samba do Grupo 1, promovido pela Liga das Escolas de Samba de Belém e pela Prefeitura de Belém.
A programação foi adiada para iniciar ontem (4) devido aos alagamentos causados pelas chuvas e maré alta dos últimos dias na capital. A nova passarela do samba, a rua Marechal Hermes, no bairro do Reduto, em Belém, foi o local do desfile.
Deixa Falar, Xodó da Nega, A Grande Família, Bole Bole, Quem são Eles, Piratas da Batucada, Rancho não Posso Me Amofiná e Escola de Samba da Matinha entraram na avenida nessa ordem.
Veja o que elas apresentaram:
Deixa Falar

A Deixa Falar apresentou o enredo "Dendê, o óleo do negro de cor, aroma, religião e sabor", mostrou a história dos negros e a riqueza da criação dos pratos que vão do acarajé ao vatapá. A escola levou alegorias que retrataram as vendedoras de tacacá e também mostraram a força do Pará, que ganhou o mundo pela culinária.
A escola de 25 anos desfilou com 900 brincantes em nove alas, com dois carros alegóricos. Juliana Wanzeler, 32 anos, é madrinha de bateria da escola Deixa Falar há 10 anos, mas segundo ela, nenhum outro ano foi igual a este, em que a escola foi a sorteada para abrir a noite do Grupo Especial. "É um frio na barriga e responsabilidade sem igual, mas vamos nos esforçar para passar o melhor para esse público lindo que veio prestigiar nosso carnaval", disse.
Xodó da Nega
A segunda escola a entrar na avenida foi a Xodó da Nega, que fez uma homenagem ao escritor paraense Bruno de Menezes, poeta e folclorista, anunciador do modernismo na Amazônia. A escola tem 28 anos de criação.
A Xodó da Nega trouxe ainda para o meio da avenida a sua bateria com apoio do tradicional Boi Azul do Arraial do Pavulagem. O folclore paraense, juntamente com o boi bumbá, são temas de um dos poemas mais famosos de Bruno de Menezes.
Grande Família
Com o enredo “Alvorecer”, a Escola de Samba A Grande Família revisitou esse tema que é responsável por um dos sambas-enredos mais conhecidos da escola, que diz “Eu vou, eu vou, eu vou, eu vou pra Grande Família, meu amor”, no refrão.
Com 42 anos de avenida, A Grande Família surgiu do bloco de carnaval homônimo e é a representante do bairro do Telégrafo. Com 700 brincantes em sete alas, a escola trouxe dois carros alegóricos e duas colunas, e os brincantes apresentaram o conceito do amor pela escola e a união de uma grande família.
Bole Bole
Com 34 anos de criação, a Escola de Samba Bole Bole revisitou o enredo “Bole-Bole Pinta Sete Cores”, um dos temas da extinta Escola de Samba Arco-íris. Com 1.200 integrantes em oito alas, a escola levou ainda para a avenida dois carros alegóricos e duas colunas.
Pela Marechal Hermes, as alas mostravam todas as cores do arco-íris, em tons fortes. O público, que já conhecia o samba da época da Arco-Íris, cantou o famoso refrão: “Pinta sete, sete cores no meu coração; vem comigo, meu bem pra o Arco-íris, colorir a multidão”.
Quem São Eles

Carregando a tradição de ser a segunda escola de samba mais antiga de Belém, o Império de Samba Quem São Eles levou à rua Marechal Hermes a história da estrada de ferro Belém-Bragança, seu apogeu e desaparecimento. Com 1.200 brincantes e onze alas, o enredo mostrou um tom de saudade e também de denúncia, utilizando as tradicionais cores grená e branca.
O presidente da escola, Gláucio Sapucahaí, disse que levar a agremiação à avenida foi uma grande luta e um forte esforço para mostrar um Carnaval com beleza e brilho. “Vamos mostrar como essa história não pode e nem deve ser esquecida. Neste caso da estrada, o progresso acabou sepultando uma bela página da nossa história. O Quenzão vem para a avenida com muitas surpresas, mostrar e defender esse enredo com muita beleza”, afirmou Gláucio.
Uma das alas da escola levou brincantes com roupas de época e também um grande zepellin, trazendo de volta essa época passada. O último carro alegórico foi uma homenagem à Maria Fumaça e soltava fumava de verdade pela chaminé.
Piratas da Batucada

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas da Batucada, escola que surgiu a partir do bloco homônimo, é a representante do bairro da Pedreira e tem 72 anos. Este ano, a Piratas desfilou o tema “Da Turquia encantada, às encantadas da Turquia. Salve o povo que tem fé nos caminhos de Aruanda”, com 1.100 brincantes, distribuídos em nove alas.
Os integrantes da comissão de frente usaram burcas e longas saias vermelhas e pretas, que foram usadas nas acrobacias. O carro abre alas se transformou em uma grande tenda toda em vermelho.
O enredo fez menção às conquistas marítimas do povo turco. Por isso a bateria veio usando roupas de marinheiro, em azul e branco. O tema marinho se repetiu no carro alegórico que era uma mistura de peixe e barco.
Rancho

O Rancho Recreativo Escola de Samba Não Posso Me Amofiná encheu a rua Marechal Hermes com muitas cores, dentro do atualíssimo tema da diversidade, com o enredo “Seis cores por um mundo melhor, celebração do orgulho de ser diferente e não desigual”. A quarta escola mais antiga do Brasil, que vem do bairro do Jurunas, defendeu os 84 anos de tradição com 1.200 brincantes em dez alas, dois carros alegóricos e duas colunas.
O presidente da escola, Jango Vidal, disse que o Rancho trouxe para avenida uma escola que prima pela presença de toda a comunidade jurunense. “A comunidade está toda aqui presente e abraçou, desde o início, o tema da diversidade, com respeito ao ser humano e dizendo não ao preconceito”, explicou.
O Rancho desenvolveu o enredo mostrando a questão do respeito às escolhas sexuais desde as idades antiga e média, até a contemporânea. O carro abre alas trouxe a tradicional coroa, que é o símbolo da escola. Toda a escola usou cores fortes, como o rosa, o vermelho, o amarelo e o azul.
Chamaram a atenção do público os dois carros alegóricos. O primeiro era um imenso dragão multicolorido que soltava muita fumaça pelas narinas e o segundo era um grande pássaro, também com asas muito coloridas.
Matinha

Encerrando o desfile das escolas de samba do Grupo 1, a Escola de Samba da Matinha, do bairro de Fátima, entrou na rua Marechal Hermes debaixo de chuva e depois das 5 horas desta segunda-feira. Com o tema “A emoção está no ar. Projetando vidas. Projetando sonhos. Projetando a sétima arte na passarela do samba”, a escola levou 1.200 brincantes em dez alas.
Com 47 anos de criação, a Escola de Samba da Matinha mostrou por que a emoção do cinema representa a todos. O presidente da escola, Rodolfo Trindade, disse que o tema foi escolhido pela comunidade. “Fizemos uma pesquisa com nossa comunidade, perguntando a todos qual tinha sido o filme que mais os emocionara. Os mais citados estão aqui na avenida, com muita inovação, garra e vibração”, disse.
O carro que trouxe a coruja, símbolo da escola, também trazia um dos moradores mais conhecidos do bairro de Fátima, o Veado da Bike, que representou o personagem Elliot, do filme “ET - O Extraterrestre”, que foi longamente aplaudido.
(Com informações da Agência Belém)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar