O mutirão de limpeza prometido pelo prefeito Zenaldo Coutinho, por meio das redes sociais, não passou de conversa. Após a forte chuva que alagou vários pontos de Belém, na última segunda-feira (26), o gestor se manifestou pela internet, garantindo à população da capital ações de limpeza urbana, nas ruas e canais, em parceria com o Governo do Estado. Mas, passados três dias, o DIÁRIO constatou que alguns locais, como os canais da travessa Nina Ribeiro e da avenida Gentil Bittencourt, em São Brás, receberam apenas uma limpeza superficial, como retirada de mato e entulhos das beiradas dos canais. Até ontem, outras áreas da cidade sequer haviam sido contempladas com os serviços.
Para a estudante Ana Rita Santos, 44, moradora da travessa Nina Ribeiro, os serviços de limpeza das beiradas dos canais – com retirada do mato – não resolvem os alagamentos que têm afetado aquela área. Ela explica que o problema começou no ano passado devido à falta de drenagem do canal. Com a chuva de segunda, várias casas ficaram submersas, prejudicando o ir e vir da população.
PREVENÇÃO
A casa de Ana só não alagou porque o piso já foi levantado. “Meu esposo saiu atrasado para o trabalho. O pessoal da prefeitura só limpou a beirada e ainda deixou o mato lá. Aqui não enchia, acho que começou porque nunca limpam o canal dentro, não fazem drenagem. A gente queria que fechassem o canal como fizeram na Silva Rosado. Na época da eleição, o Zenaldo passou aqui perto, mas nem entrou na rua”, criticou a moradora, que acrescentou que até a proteção e pontes do canal, erguidas em madeira, foram improvisadas pelos moradores.
Anteontem, o canal da avenida Gentil, segundo a comunidade, também recebeu serviços de limpeza nas beiradas, para a retirada de mato e lixo. Mas ontem já era possível observar lixo dentro do canal, mostrando que, além de não haver fiscalização, não há um trabalho educativo para evitar que a população continue jogando lixo no local.
Segundo Elizangela Martins, 31, funcionária de um ponto comercial, o canal permanece com a água parada, não escoa. Com isso, quando chove, transborda e alaga toda a área. “A água fica empoçada e demora a escoar. As pessoas também não ajudam porque vêm jogar lixo no canal. Talvez se doer no bolso, pagando multa, resolva”, sugeriu.

Entulhos se misturam com água no canal da passsagem José Leal Martins, no bairro do Marco. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)
MORADORES DO ENTORNO DOS CANAIS SOFREM COM TANTA SUJEIRA
O canal da rua dos Mundurucus, no bairro do Guamá, entre as travessas Francisco Monteiro e Teófilo Condurú, até ontem à tarde, não havia recebido nenhum tipo de serviço pelo “mutirão”. Segundo os moradores, há uma semana, a Prefeitura iniciou e parou um serviço de limpeza ao redor do canal. Mato e entulhos foram deixados nas beiradas. “Vieram numa manhã, ficaram até o meio-dia e depois não retornaram mais. Como a população também é imunda, aproveitou e começou a jogar lixo em cima do mato que a prefeitura deixou. Tinha até uma geladeira no canal. Fomos nós que tiramos”, disse o condutor de máquinas Anderson Brasil, 38, que mora há 20 anos na via. Ele contou que nunca viu o canal receber drenagem ou uma limpeza mais profunda. Além de lixo, hoje os urubus fazem morada no canal que está com barreiras de proteção e muretas quebradas. Além disso, pela falta de manutenção, uma parte da mureta arriou para dentro do canal, aterrando ainda mais. “Até agora ninguém apareceu para fazer essa limpeza. Esse canal nunca teve manutenção e está caindo aos pedaços”, reclamou.
Na Passagem José Leal Martins, no bairro do Marco, é precária a situação do canal que corta a via. Com mato alto, lixo e lama, o canal transborda e alaga as casas dos moradores sempre que chove mais forte. Para além do canal, a situação da própria via também é degradante: por ali nunca existiu saneamento básico e pavimentação asfáltica. Morando há cinco anos na José Leal, a dona de casa Estela Costa, 57, contou que a casa de sua mãe sempre ficava submersa após as chuvas e precisou ter o piso levantado duas vezes. “Ainda não apareceu ninguém da prefeitura para limpar aqui esses dias. Todas as ruas dessa área estão na mesma situação. Uma vez a casa da minha mãe encheu e tivemos de chamar os bombeiros para tirar a minhairmã que é deficiente. Vivemos em uma situação difícil”, lamentou.

O canal da passagem José Leal Martins está tomado pela sujeira ao seu redor. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)
O QUE DIZ A PREFEITURA
De acordo com a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), os serviços de limpeza de canal são realizados durante o ano inteiro pela Prefeitura de Belém.
Construções irregulares sobre o trecho do Tucunduba que ainda não recebeu obra servem de barreira para o escoamento da água.
A Sesan diz ainda que os investimentos em parceria com o Governo do Estado anunciados por Zenaldo garantirão o reforço na limpeza urbana, com ações efetivas em vias e canais da cidade.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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