Neste dia da mentira (01), são grandes as chances de você receber alguma notícia falsa pela internet, embora os boatos sejam recebidos independentemente da data, uma vez que as chamadas fake news são cada vez mais comuns, prejudicando muitas pessoas.
Uma foto postada indevidamente em um grupo de WhatsApp pôs fim ao sossego da família de uma autônoma de 41 anos. No dia 5 de março, o marido dela parou o carro em uma rua de Ananindeua para falar ao celular. Mal sabia ele que sua atitude estava sendo acompanhada por uma pessoa que, sem checar a situação, fotografou a cena e a descreveu como um ato ‘suspeito’, alarmando a vizinhança. A imagem começou a ser compartilhada e, à noite, o susto: o autônomo – que prefere não se identificar – foi abordado por dois policiais à paisana. “Revistaram o meu marido e o carro. Como nada acharam, ele foi liberado sem entender”, conta a mulher.
No outro dia, mais constrangimento. “Ele estava na feira do Paar e foi abordado. O policial mostrou a foto do carro dele e a publicação”, relembra. Foi então que a vítima procurou a pessoa que fez a postagem para pedir explicações. Mesmo com passar dos dias, a imagem continuava circulando nas redes sociais. “Não podíamos sair à rua, as pessoas apontavam para o carro. Fomos ameaçados até de morte”, lamenta. A família procurou a polícia e já tem uma audiência marcada em juízo para o próximo mês.
Advogada de crimes virtuais, Fernanda Aguiar Vieira explica que as fake news são notícias falsas, propagadas para denegrir a imagem de alguém ou de um grupo. “Elas têm o objetivo de manipular a opinião pública ou gerar pânico social”, detalha. A especialista aponta que, atualmente, a internet é solo fértil para esse tipo de conduta.
RAPIDEZ
“Na era digital, elas ganham rapidez e, com isso, problemas para controlar e esclarecer a verdade”, ressalta. A advogada recomenda que é preciso sempre desconfiar do que se recebe. “Não divulgue nada sem checar. As fake news pegam ‘carona’ em temas de evidência ou de situações que a população está sensibilizada”, finaliza.
O diretor metropolitano da Polícia Civil, Aldo Botelho, explica que a maior parte dos casos de fake news não é investigado. “É preocupante. Não há apuração, atinge uma pessoa ou uma população. Quando é direcionado e tem vítima, é gerado Boletim de Ocorrência (B.O). Assim, chegamos ao culpado. Mas, se não houver queixa, não há apuração”, explica.
Os casos são investigados pela delegacia do bairro ou por uma especializada, gerando um TCO – Termo Circunstanciado de Ocorrência. Quem compartilha também pode ser penalizado em juízo civil. “A pessoa pode pagar uma indenização ou ter de fazer uma retratação publica”, ressalta Aldo.
Se ficar comprovado que a notícia teve o intuito de ofender, o acusado pode responder por crime contra a honra: injuria, calunia ou difamação. “A pena é de até de dois anos, nos juizados especiais. Mas, se juntarem tudo, pode ser tramitado pela justiça comum, com mais de 2 anos”, esclarece Maissa Costa, advogada criminalista.
Caso as fake news perturbem a população e disseminem o pânico, o acusado pode ser enquadrado no artigo 30 da lei de contravenções penais, com dois anos de pena também.

QUANDO AS MENTIRAS AFETAM A SAÚDE
As fake news também afetam a área da saúde. Mesmo sem comprovação científica, denúncias de vacinas, anúncios de medicamentos milagrosos se espalham como vírus. A oncologista Amanda Gomes explica que os pacientes de câncer, normalmente, estão fragilizados. “Eles precisam acreditar nas coisas, e essas notícias podem impactá-los”, destaca.
Segundo o Instituto Oncoguia, uma simples busca com o termo ‘tratamento de câncer’, no Google, por exemplo, resulta em mais de 4 milhões de páginas de artigos e sites sobre o assunto. No YouTube, há uma infinidade de vídeos sobre a origem e a cura de inúmeras doenças, sem comprovação.
“Lidar com o câncer é algo delicado. Então, procure sempre o seu médico e não deixe seu emocional ficar abalado por qualquer informação”, orienta a psicóloga Luciana Holtz, presidente do Oncoguia.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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