A Polícia Federal, com o apoio do Ministério do Trabalho (MTe), deflagrou na manhã desta terça-feira (08), a Operação Entice. Em Marabá e Redenção, região sudeste do Pará, os agentes têm como objetivo desarticular uma quadrilha especializada em fraudar benefícios de seguro desemprego nos municípios.
Ao todo, são cumpridos sete mandados judiciais, sendo um de prisão preventiva, um de prisão temporária e cinco de busca e apreensão e duas decisões judiciais de afastamento das funções públicas.
Os mandados de busca e apreensão estão sendo realizados nas residências dos investigados e no Sistema Nacional de Emprego (Sine) de cidade de Marabá, local em que os servidores cooptados trabalhavam.
As investigações tiveram início após trabalhadores denunciarem na Delegacia de Polícia Federal de Marabá o grande número de fraudes, que consistiam em aliciar os servidores do Sine. Eles teriam que acessar e/ou permitir o acesso de terceiros no sistema, de forma remota, aos sistemas de concessão do benefício do MTe.
Em seguida, eles demitiriam ficticiamente os trabalhadores que se encontravam com vínculos de trabalho ativo. Os profissionais só tomavam conhecimento, muitas vezes, das fraudes quando eram demitidos de fato e ao requererem seus benefícios eram informados que esses já haviam sido sacados de forma fraudulenta por terceiros.
As fraudes eram realizadas de forma eletrônica, muitas vezes com a criação de números do Programa de Integração Social (PIS) falsos. Os fraudadores ainda obtinham a 2ª via do cartão cidadão para efetuarem saques nas mais diversas cidades do país. Alguns benefícios de seguro desemprego investigados tiveram parcelas sacadas em Belém, São Paulo (SP), Aparecida de Goiânia (GO) e São Luís (MA).


As promessas para os servidores do Sine que eram aliciados era de ganhos vultosos e fáceis. Em muitos dos casos, uma pessoa chegou a prometer que um servidor ganharia uma média de R$ 90.000,00 (Noventa mil reais) por período de 15 semanas. Para isso ele precisaria apenas que o servidor deixasse sua máquina “ logada” no sistema do seguro desemprego por um determinado período de horas diária.
O prejuízo potencial causado pelas fraudes investigadas, de acordo com o Ministério do Trabalho, no período entre agosto de 2016 até março de 2018, foi de aproximadamente 26.886.067,97 (vinte e seis milhões, oitocentos e oitenta e seis mil e sessenta e sete reais e noventa e sete centavos).
O Ministério do Trabalho implantou o Projeto Antifraude que bloqueou pagamentos, ou seja, do montante total dos valores fraudados, só foram efetivamente subtraídos pelos fraudadores a quantia de R$ 4.630.091,00 (quatro milhões, seiscentos e trinta mil e noventa e um reais).
Os investigados responderão pelos crimes de Associação criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas de informações e estelionato. Ao todo as penas pelos crimes investigados podem alcançar mais de 30 anos. Os presos serão encaminhados para presídios da cidade de Marabá, onde ficarão detidos à disposição da Justiça Federal.
(Com informações da Polícia Federal)
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