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Aliados dizem que Jatene agiu tarde demais contra a violência

O encerramento precoce da sessão ordinária de ontem da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), por falta de quórum para votação de projetos, não poupou o governador Simão Jatene (PSDB) de receber diversas críticas. Menos de 24 horas depois da divulgação d

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O encerramento precoce da sessão ordinária de ontem da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), por falta de quórum para votação de projetos, não poupou o governador Simão Jatene (PSDB) de receber diversas críticas. Menos de 24 horas depois da divulgação de um vídeo nas redes sociais do Governo, em que o tucano anuncia medidas emergenciais para somente agora tentar conter o caos na Segurança Pública, nem os deputados da sua base aliada economizaram nas cobranças.

Sidney Rosa, do PSB, declarou ter visto como positiva a admissão de que a situação é grave. “Até porque não tem mais como esconder. Finalmente ele veio a público dizer isso”, comentou. Mas o parlamentar admitiu que a eficácia de quaisquer das medidas depende, principalmente, de um grande pacto entre os poderes - Judiciário, Ministério Público, Alepa. “Não é só prender e segurar o preso no presídio. É preciso ir à origem de tanta violência, e isso envolve Igreja, família, tudo. Se vier o Federal e contiver nas fronteiras a entrada de armas e drogas, já é uma coisa importante.”

O deputado se disse particularmente surpreso em notar que a Região Metropolitana de Belém registra quase três vezes mais mortes que o interior - onde o efetivo policial por município é, obviamente, menor. “Onde tem menos polícia tem menos crime”, lamentou Rosa, que embora muito crítico, compõe a base de apoio do governador.

Júnior Hage, do PDT e também da base, discursou na semana passada sobre a necessidade de uma das medidas anunciadas por Jatene no vídeo divulgado há dois dias: moradia exclusiva para policiais militares. E ontem criticou que a medida tenha vindo tão tarde. “Tudo o que vier agora é bem-vindo, mas já vem bastante tarde, porque o Estado não ouviu os representantes da população. Estou vendo gente vender suas casas em Ananindeua por medo, e o Governo vai dar uma resposta a poucos meses do fim do mandato? Isso deveria ter sido entregue antes, para agora sim festejar números”, avaliou, referindo-se à ida de Simão Jatene a Brasília esta semana para negociar a compra, junto ao Governo Federal, de 500 unidades habitacionais para moradia exclusiva de policiais e familiares, também dito no pronunciamento gravado pelo governador.

Para o deputado Sidney Rosa, não há mais como esconder o cenário de guerra no Estado. (Foto: Ozeas Santos/Alepa)

GOVERNADOR É DESMENTIDO SOBRE COMPRA DE MUNIÇÃO

No mesmo vídeo, Jatene afirma que foram comprados munição e coletes à prova de balas para todos os policiais da ativa. Tércio Nogueira, deputado do PROS e soldado da PM, rebateu. “Acabei de chegar do interior e há enorme defasagem lá. Acho que houve a compra para algumas unidades que são consideradas em evidência, mas muitas outras seguem sucateadas”, afirmou.

O parlamentar defendeu a necessidade de algo mais emergencial em relação à moradia de seus irmãos de farda, como um adicional imediato ao contracheque dos que estão vivendo sob ameaça para que possam se mudar o quanto antes. “Toda semana são dois, três policiais alvejados. Esse é um projeto da Alepa votado há tempos, precisa mapear urgentemente quem está em área de risco, ameaçado, para que eles possam sair, enquanto as unidades prometidas pelo governador não são entregues”, detalhou.

“O governador saiu da toca, acho que por excesso de pressão. Disse no discurso dele que a nossa situação é culpa da imprensa. Mas a imprensa não está matando ninguém. Quem está matando são os meliantes, o Comando Vermelho, o crime organizado. A cúpula contribui para isso quando não admite isso.”

MARTINHO CARMONA DISPARA: "A SOBERBA PRECEDE A RUÍNA"

O deputado Martinho Carmona pede humildade a Jatene. (Foto: arquivo)

Com um pouco mais de bom humor e sarcasmo, o deputado Martinho Carmona (MDB), que é pastor da Assembleia de Deus, usou trechos e personagens bíblicos para criticar o governador. “Se a vaidade destruiu até Lúcifer, imagina se não vai destruir o Jatene. Ele nunca estendeu a mão para conviver pacificamente com a oposição. E cabe a um governante a humildade e saber aglutinar. A soberba precede a ruína. É bíblico”, pregou. Ele se disse preocupado com o afastamento dos investidores, e da inércia do Governo diante desse fato. “Agora é crer em Deus e esperar que Ele faça um milagre pra retomarmos o crescimento. Porque o que não faltam são questões internas que tiram a atenção do governador.”

(Carol Menezes/Diário do Pará)

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