Menos de 3 meses depois da mudança do secretário de Segurança Pública, o governador Simão Jatene decidiu mudar o comando da Superintendência do Sistema Penal do Estado (Susipe). Mas o que parece uma atitude para conter a insatisfação que permeia os agentes penitenciários e o domínio das facções criminosas nas casas penais do Estado, e de onde parte a maioria das ordens para os violentos crimes que têm ocorrido na Grande Belém, que já resultaram em centenas de mortes este ano, pode significar mais uma jogada política.
O governador pode ter dado mais um tiro no pé ao trocar um militar com experiência na área carcerária por um advogado com perfil em Direitos Humanos. Na dança das cadeiras, sai o coronel Rosinaldo Conceição e entra Michel Durans, que ocupa hoje o cargo de secretário de Justiça e Direitos Humanos do Governo do Estado. Informações da área de Segurança dão conta que Rosinaldo ficará no cargo até junho.
Mas o que está por trás da mudança não é a melhoria do sistema penitenciário do Pará, e sim mais uma composição política arquitetada pelo governador para fortalecer sua base eleitoral com vistas à eleição de outubro deste ano, negociando apoio para conseguir eleger como governador o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Márcio Miranda. A Superintendência é responsável pela gestão do Fundo Penitenciário e tem uma verba estimada para este ano de R$ 50 milhões, sendo esta uma das razões pelas quais a função é cobiçada por partidos políticos aliados a Jatene. Michel Durans é da cota do deputado estadual Cássio Andrade (PSB). Em suma, Simão Jatene faz política num momento em que o Pará atravessa sua pior crise na área de segurança pública em muitos anos.

Jatene deve nomear Michel Durans (abaixo) como novo superintendente do Susipe, que administra o Fundo Penitenciário estimado em R$ 50 milhões somente em 2018. Ele é filiado ao PSB e pertence à cota do deputado estadual Cássio Andrade no Governo do Estado. (Foto: Thiago Gomes/Agência Pará)
CRÍTICAS
Para o deputado estadual José Scaff (MDB), é um erro crasso misturar política com uma pasta tão importante. “O sistema penitenciário é uma área crucial, pois sabemos que o crime organizado tem seu cérebro nos presídios e casas penais. E, ao que tudo indica, o novo ocupante do cargo não tem experiência na área penitenciária. Será uma troca temerária”, analisa o medebista.
Para Scaff, a questão da Segurança no Estado não é de nomes, e sim de conceitos. “Não adianta o governador trocar nomes. Pode mudar toda a área de segurança pública que a situação permanecerá a mesma, já que a raiz do problema é a falta de uma política efetiva de segurança”, avalia. “Quem assumir vai estar cumprindo a mesma diretriz, e a situação de mortes e insegurança no Estado continuará a mesma.”
O deputado estadual e policial militar Soldado Tércio (Pros) não viu com bons olhos a troca de comando. “O coronel Rosinaldo é um técnico experiente e capacitado para gerir casas penais e controlar rebeliões, com a noção sobre o que fazer para impedir situações piores. É uma decisão questionável e irresponsável numa área delicadíssima como essa”, coloca.
Tércio avalia que a mudança se deveu à pressão política do PSB em cima do governador por mais cargos. “Isso mostra mais uma vez que o governador não está nem aí para a vida da população paraense. Fazendo uma troca dessa, coloca em risco a vida dos agentes penitenciários e dos detentos nas casas penais. Mais uma vez, o governador coloca o povo na linha de tiro...”, lamenta.
SUSIPE
O DIÁRIO conseguiu falar com o coronel Rosinaldo na tarde de ontem para repercutir a sua saída da Susipe. O militar informou que preferia não se manifestar sobre assunto e que “ainda existia toda uma questão a ser trabalhada e a transição a ser realizada”, encaminhando o jornal para a Assessoria de Comunicação da superintendência, que até o fechamento desta edição não havia respondido aos questionamentos do jornal.
(Luiz Flávio/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar