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Falta comida! Greve dos caminhoneiros afeta supermercados da Grande Belém

A paralisação dos caminhoneiros, que entra hoje no quarto dia, já começa a causar desabastecimento nos supermercados da Grande Belém. Os hortifrutigranjeiros são os principais prejudicados com o movimento. Até ontem à noite, os produtos ainda eram encontr

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A paralisação dos caminhoneiros, que entra hoje no quarto dia, já começa a causar desabastecimento nos supermercados da Grande Belém. Os hortifrutigranjeiros são os principais prejudicados com o movimento. Até ontem à noite, os produtos ainda eram encontrados nos estabelecimentos da cidade, mas a previsão é que a maioria deles comece a faltar a partir de hoje.

Segundo o presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), Jorge Portugal, os produtos perecíveis, como verduras, frutas e legumes, são os mais afetados pela paralisação, uma vez que necessitam de reabastecimento diário. Cebola, pimentão e tomate, por exemplo, vêm de outras regiões do Brasil, em especial do Nordeste. A viagem leva, em média, sete horas e, por mais conservados que estejam, tendem a apodrecer devido à exposição ao calor. “Quanto mais tempo a carga ficar retida nos caminhões, mais exposta ela estará. Provavelmente, os supermercados vão ter de esperar uma nova remessa”, explicou.

Nos comércios de pequeno porte a preocupação é ainda maior, já que a maioria abastece da Central de Abastecimento do Pará (Ceasa). A instituição informou, por meio de nota, que os produtos hortigranjeiros estocados no fim de semana só conseguiriam garantir o abastecimento de alguns estabelecimentos até ontem. Um dos movimentos de compra mais intensos acontece de quarta para quinta. Segundo a Ceasa, se a greve continuar, hoje vai ser mais um dia difícil para os permissionários.

REDUÇÃO

Nos supermercados, alguns produtos já estão em pouca quantidade ou mesmo começam a faltar. Em um grande supermercado de Belém, os repositores de produtos informaram que ontem limão, mamão e maracujá chegaram em pouca quantidade, enquanto que a acerola nem chegou a ser abastecida.

Outra preocupação da Aspas é com o abastecimento de carne e frango, já que esses produtos entram em Belém pela rodovia BR-316, vindos principalmente de frigoríficos de Castanhal e do Sul do Pará. “Se a paralisação continuar, esses produtos certamente vão faltar e o pouco que tiver será vendido mais caro”, previu Portugal.

Para os consumidores, a ameaça de falta do produto será um transtorno. “Em casa consumimos mais carne e frango porque o peixe está muito caro. Se faltar não sei o que fazer”, disse a doméstica Lúcia Borges, 45.

Produtos como frutas, verduras e legumes devem começar a diminuir e até mesmo faltar a partir de hoje. (Foto: Marco Santos/arquivo)

PARALISAÇÃO

A paralisação continua hoje. O movimento é nacional e tem como motivação a alta no preço dos combustíveis. No Pará, a classe segue concentrada na BR-316, em Benevides. A pista foi liberada em alguns momentos do dia, mas a estratégia é continuar parando os caminhões que vão para a capital.

ABASTECIMENTO MUDA DE TURNO PARA EVITAR FALTA DE ALIMENTOS E MAIS PREJUÍZOS

Para garantir o estoque, os supermercados estão mudando o horário de abastecimento, antecipando a entrega dos produtos do turno da manhã para o da noite anterior. “Alguns fornecedores estão conseguindo furar o bloqueio das estradas após às 18h, então passamos a abastecer à noite. Mas o estoque é sempre para hoje e amanhã”, revelou o gerente geral Luiz Carlos.

O problema também já afetou aeroportos do País. Até a noite de ontem, pelo menos 13 deles estavam com os voos comprometidos. No entanto, no Pará os aeroportos estão operando normalmente.

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infarero) informou que está monitorando o abastecimento de querosene de aviação por parte dos fornecedores que atuam nos terminais, além de estar em contato com companhias aéreas e órgãos públicos relacionados ao setor aéreo para garantir o fornecimento de combustível de aviação.

De qualquer forma, a Infraero recomenda aos passageiros que verifiquem a situação dos seus voos nas companhias.

O trânsito ficou complicado em frente à prefeitura de Ananindeua durante o protesto dos caminhoneiros. (Foto: divulgação)

PREÇO DO DIESEL VAI DIMINUIR POR 15 DIAS

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou ontem à noite uma redução de 10% no valor do diesel nas refinarias por 15 dias. A decisão, segundo ele, busca contribuir com uma possível trégua no movimento dos caminhoneiros, que estão paradas nas estradas há três dias contra preço do combustível.

Na prática, a Petrobras avalia que a redução média será de R$ 0,23 por litro nas refinarias, resultando numa queda média de R$ 0,25 por litro nas bombas dos postos de combustível. A diminuição do preço deve ser maior para o consumidor, porque o imposto incidente acabará sendo menor. A medida vale apenas para o diesel e começa a valer a partir de hoje. O custo do combustível nas refinarias será de R$ 2,1016, valor fixado para os próximos 15 dias. Ao fim do período, a tarifa será corrigida de forma progressiva até voltar a operar de acordo com a política de preços adotada pela estatal.

A Petrobras espera que a decisão leve à suspensão da paralisação e que, nos 15 dias em que vigorar o valor fixo, governo e caminhoneiros consigam encontrar uma solução definitiva. “Entendemos que uma das grandes dificuldades é a possibilidade de que exista uma trégua, um tempo para uma discussão mais serena dos temas complexos em debate. E a empresa decidiu dar uma contribuição para a construção desse ambiente construtivo”, disse Pedro Parente. Não há garantia de que os caminhoneiros irão interromper a greve.

(Leidemar Oliveira/Diário do Pará com Agência Brasil)

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