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Zenaldo deixa população sem hospital por cerca de um ano

terça-feira, 26/06/2018, 07:18 - Atualizado em 26/06/2018, 07:32 - Autor:

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A partir do próximo dia 2 de julho, parte do atendimento do Hospital de Pronto Socorro Municipal Humberto Maradei Pereira, no bairro do Guamá, começará a ser remanejado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Terra Firme, inaugurada no dia 2 de janeiro deste ano e fechada desde então. A desativação do PSM do Guamá será necessária para que o hospital passe por obras de reforma e reestruturação.


Durante o anúncio das alterações nos atendimentos de urgência e emergência de Belém, o Prefeito Municipal de Belém, Zenaldo Coutinho, informou que a obra do PSM do Guamá ainda será licitada, porém, que a previsão é de que seja concluída dentro do prazo de dez meses.


Prefeito de Belém condenou as condições do prédio do Pronto Socorro do Guamá, que será reformado e terá parte do atendimento suspenso (Foto: Celso Rodrigues/Arquivo)


Nesse período, apenas o PSM da 14 de Março terá atendimento normal para uma população de 1.452.275 de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


“A reforma foi por necessidade. O prédio está em precárias condições, a estrutura ultrapassada, não atende sequer as normas do Ministério da Saúde”, avaliou. “Precisamos qualificar o atendimento e transformar o hospital de média para alta complexidade, melhorando o diagnóstico, facilitando os fluxos e atendendo com qualidade os nossos pacientes da urgência e emergência”, completou.


Ainda segundo o prefeito, esta é a primeira grande reforma realizada no hospital desde 2012. “Antes do meu governo, houve uma intervenção na área de urgência. Depois nós ficamos fazendo algumas manutenções, alguns pequenos serviços”, apontou. “Intervenção expressiva, de qualificação e de ampliação, é agora”.


UPA inaugurada em janeiro segue fechada


A unidade da Terra Firme foi entregue em 12 de janeiro deste ano (Foto: Ricardo Amanajás)


Para que a reforma seja realizada, o atendimento do PMS do Guamá será remanejado para a UPA da Terra Firme que, enfim, será colocada em funcionamento. Localizada na avenida Perimetral, a UPA já está fechada há cinco meses mesmo após a inauguração. Zenaldo Coutinho ensaiou uma explicação para o espaço ter passado tanto tempo sem funcionar. “A UPA da Terra Firme inauguramos este ano, mas aguardamos este momento para colocá-la em funcionamento”, afirmou.


“Porque exigiria que contratássemos servidores para a UPA e nós teríamos, neste momento, que demiti-los porque a estrutura para ser montada agora vai exigir a transferência e o remanejamento dos servidores do PSM do Guamá”.


Além da UPA da Terra Firme, os servidores que hoje atuam no PSM do Guamá serão remanejados para reforçar o atendimento nas UPAs da Sacramenta, de Icoaraci e para o Hospital Geral de Mosqueiro.


O Hospital Samaritano – que hoje funciona como hospital de retaguarda do PSM – receberá uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e um Centro Cirúrgico para receber as cirurgias de baixa complexidade. “Os pacientes têm de ser levados ou para as UPAS ou para o Hospital de Mosqueiro ou para o PSM 14 de Março e, aí sim, se houver necessidade, o paciente será deslocado para o Samaritano”, explicou.


Com relação à baixa complexidade, a prefeitura afirma que haverá reforço no atendimento das nove unidades de saúde municipais, funcionando 24h. A Unidade de Saúde do Guamá também funcionará como suporte a baixa complexidade, com médico de plantão para atender a urgência e emergência de baixa complexidade, das 7h às 19h. A média complexidade será atendida pelas UPAs e a alta complexidade pelo Hospital de Pronto Socorro da 14 de março.


Atendimento deve ficar ainda mais demorado


Os comerciantes Margarida Carvalho e Walmir Miranda estão preocupados com a mudança (Foto: Fernando Araújo)


Em busca de atendimento na UPA da Sacramenta, na avenida Doutor Freitas, ontem de manhã, o comerciante Walmir Miranda, 47, saiu sem ser medicado porque, segundo ele, a unidade estava lotada. “O meu pé está doendo e eu não posso tomar qualquer remédio porque sou alérgico”, disse. “Mas eu nem vou esperar porque está muito cheio. Se eu ficar vai demorar muito”.


Acompanhando Walmir, a comerciante Margarida Carvalho, 47, não conseguiu esconder a preocupação diante da possibilidade de aumento da demanda em decorrência da reforma do PSM. “Nós tínhamos plano de saúde já há 20 anos, mas, com a crise, tivemos de cancelar. Agora dependemos do serviço público que é desse jeito”, lamentou. “Se agora já está assim, imagina fechando o PSM e remanejando para cá”.


Com a tia internada há 20 dias na UPA da Sacramenta, a dona de casa Maria Domingas, 40, disse que não havia o que reclamar sobre o atendimento dos profissionais de saúde. O problema enfrentado no local era apenas em relação à espera por um leito em um hospital em que a tia pudesse dar continuidade ao tratamento. “Eu espero que essa mudança não prejudique o atendimento daqui”.


Também na UPA de Icoaraci, a notícia inquietou quem buscava ajuda. “Se com o atendimento espalhado já fica ruim, imagina se transferirem parte do atendimento para as UPAs”. Apesar da preocupação, o secretário municipal de Saúde, Sérgio Figueiredo, disse que não haverá redução nos atendimentos em decorrência das obras do PSM do Guamá. “Temos hoje 60 leitos do Samaritano e teremos mais 20 leitos na UPA da Terra Firme. Então iremos passar de 68 leitos que temos hoje no PSM do Guamá para 88 leitos”.


NÚMEROS


mil - É a média mensal de atendimentos, hoje, no Pronto Socorro Municipal do bairro do Guamá.
68 - É o número de leitos que existem atualmente no PSM do Guamá. Com a reforma, que vai custar cerca de R$ 10 milhões aos cofres da Prefeitura de Belém, o número de leitos vai para 92.


(Cintia Magno/Diário do Pará)

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