Mudanças na escala de trabalho e a forma que comandantes do 1º e 2º batalhões da Polícia Militar (BPM) estariam tratando os policiais das respectivas lotações serão investigados pela Justiça Militar.
As denúncias recebidas pelo vereador de Belém, sargento Silvano (PSD), foram oficializadas ontem (29) pelo parlamentar que pede investigação e providências. “Estou pedindo explicações do Ministério Público Militar para que apure a conduta dos comandantes”, disse o parlamentar.
Os problemas vieram à tona depois que o cabo Ernande Barbosa de Mesquita, de 33 anos, foi encontrado morto na noite da última quinta-feira (28), na área dos fundos do prédio do 2º BPM, no bairro de Canudos, em Belém. Segundo a assessoria de comunicação da PM, o policial “em tese”, cometeu suicídio.
“As circunstâncias do fato já estão sendo investigadas pela PM juntamente com a Polícia Civil e qualquer antecipação aos fatos ou juízo de valor emitido é encarado como especulação indevida”, diz a nota divulgada à imprensa. O cabo estava há 10 anos na corporação e tinha ótimo comportamento.
De acordo com o vereador, colegas de farda do cabo Ernande denunciaram que ele foi vítima de perseguição por parte do comando do 2º Batalhão, onde era lotado. “No dia anterior, o cabo havia sido humilhado pelo comandante tenente-coronel Luiz Otávio porque a equipe dele não teria atendido uma ocorrência. Como consequência, ele seria transferido de batalhão, como aconteceu com o cabo Melo, que foi remanejado para o 24º Batalhão”, detalha Silvano, com base nas denúncias que recebeu.
A morte do policial gerou desconforto entre policiais militares que passaram a denunciar outras situações envolvendo os comandos dos batalhões. Um policial militar, que preferiu não ser identificado com medo de represálias, conversou com o DIÁRIO denunciando a escala de serviço que policiais militares do 1º BPM estão submetidos há uma semana.
Segundo ele, a ordem dada pelo comandante coronel Franco, “não respeita os dias de descanso dos policiais”. “Por exemplo: no primeiro dia, o PM é escalado para trabalhar de 16h até 22h. No segundo, de 8h às 20h. No terceiro, de 10h30 às 22h30 e no quarto, de 20h e só larga às 8h do dia seguinte”, detalhou.
“Toda tropa está arrasada. Não temos mais tempo para a família, com nossos filhos, nem para resolver os problemas. Alguns colegas já estão se queixando de dores na coluna, de cabeça. Outros moram longe, como um colega que mora em Santa Izabel”, acrescenta o policial.
“EXTRA”
Ainda de acordo com ele, a justificativa do comando para as mudanças é que elas são extraordinárias e que seria voluntária para o militar que queira ganhar um “extra”. “Mas aqueles que não vão, sofrem sanção em outro tipo de escala. Essa mudança não está de acordo com a nossa folga”, diz.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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