O promotor militar Armando Brasil vai instaurar Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta do secretário adjunto de Gestão Operacional da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), coronel PM André Luiz de Almeida e Cunha. Ele foi filmado efetuando disparos com uma arma de fogo durante uma operação de trânsito do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran), na entrada do município de Salinópolis, na tarde do último domingo (8).
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A cena de total despreparo foi testemunhada e registrada por inúmeras pessoas que estavam no local. As imagens flagradas por cinegrafistas amadores mostram o momento em que o secretário, trajando uma blusa branca e uma calça marrom, saca a arma e atira. Cunha puxa o armamento em meio aos agentes de trânsito e corre para perseguir um homem de camiseta verde, com quem estava discutindo momentos antes.
Armando Brasil afirma que não viu com bons olhos a conduta do militar. “Pelo que pude perceber nas imagens, o coronel não estava sendo ameaçado em nenhum momento e sacou uma pistola .40 e efetuou disparos para cima, colocando a população em pânico”, diz. “Temos que apurar de que forma aquela abordagem foi feita na estrada e porque o militar fez os disparos daquela forma”.
O IPM terá 40 dias para ser concluído e ao final o coronel André Cunha pode ser denunciado por crime de abuso de autoridade. “Será avaliada também a questão dos disparos em via pública sem necessidade, que é crime previsto no Estatuto do Desarmamento”, alerta o promotor.
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PROTESTO
Moradores e empresários de Salinópolis ficaram revoltados com o ocorrido e estão organizando uma manifestação contra o que chamam de truculência e repressão por parte da fiscalização do Estado que, segundo eles, está prejudicando o município nessas férias de julho.
“Na próxima sexta-feira vamos fechar a entrada de Salinas próximo ao trevo para mostrar toda nossa repulsa a essa violência. Não havia a menor necessidade de terem feito aquilo com os motoqueiros. Foi uma arbitrariedade”, critica a servidora pública Pâmela Santos.
Segundo ela, os dois motoqueiros não pararam após indicação da blitz composta pelo Detran e pelas Polícias Rodoviária e Militar na PA 124, logo na entrada da cidade. “Em seguida eles fizeram um bloqueio e jogaram os dois rapazes no chão. A população ficou muito revoltada vendo aquilo. Os agentes agiram de forma extremamente truculenta”, afirma.
Empresária proprietária de uma estância próxima ao local se dirigiu aos agentes e pediu calma. “Os agentes passaram a xingar a senhora que só queria ajudar. A população vendo aquilo ficou ainda mais revoltada. Para piorar, o coronel atirou. A empresária chegou a ser agredida por um agente e começou uma grande confusão e corre-corre em plena PA”, conta a servidora.
Segundo ela, esse tipo de atitude está afastando os veranistas do município e prejudica as pessoas que trabalham no balneário. “É muito complicado. Se não tomarmos uma providência agora, esse tipo de atitude pode provocar grandes transtornos no próximo final de semana aqui em Salinas”, alerta.
Segup diz que os disparos foram apenas de “advertência”
Em nota, a Segup informou que em abordagem a dois homens em uma motocicleta, que estavam sem capacete, o Cel. André Cunha e agentes do Detran, Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) e Corpo de Bombeiros, “foram alvos de agressão por três homens em situação irregular” Marivaldo Melo Santa Brígida, portador de CNH vencida, e Jonas Teixeira Canto, se recusaram a seguir a ordem de parada e receberam voz de prisão.
Uma terceira pessoa, identificada como Marcos Aurélio Albuquerque do Vale, que estaria inabilitado, assumiu a direção da moto para fugir, tentando atropelar o Cel. André, mas foi também detido. “A companheira de um dos homens tentou tirar a arma de um dos policiais”, diz a Segup.
A secretaria afirma que os disparos feitos pelo coronel André Cunha foram apenas de “advertência”, e que “não colocaram a vida de ninguém em risco”. Jonas e Marivaldo foram autuados em flagrante por dirigir veículos sob efeito álcool, desacato, resistência e agressão corporal, e Marcos Aurélio, além desses crimes, foi enquadrado por conduzir veículo sem possuir Carteira Nacional de Habilitação.
(Luiz Flávio/Diário do Pará)
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