Uma manifestação de professores e estudantes da rede pública de ensino contra a Reforma do Ensino Médio causou o cancelamento da audiência pública do Conselho Nacional de Educação (CNE) a respeito da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estava programada para ontem de manhã, no hotel Princesa Louçã, localizado na avenida Presidente Vargas, em Belém.
A concentração iniciou às 8h, antes de a audiência começar, em frente ao quiosque do Bar do Parque, na praça da República, a poucos metros do local da audiência. Com faixas e um carro som à disposição, a manifestação contou com várias entidades sindicais e movimentos estudantis, como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Intersindical, entre outros.
De acordo com o secretário geral do Sintepp, Mauro Borges, a manifestação era uma forma de passar a mensagem de resistência da categoria contra a aprovação da reforma. “Nosso objetivo é mostrar a nossa voz e deixar o nosso recado. Defender a educação e deixar claro que não concordamos com essas medidas”, afirmou.
Segundo ele, as medidas previstas na reforma deixariam o estudante do ensino público em desvantagem, já que algumas disciplinas, com exceção de Português e Matemática, teriam a carga horária reduzida ou se tornariam optativas, sistema que não seria obrigatório às escolas privadas. “Assim, quando o nosso aluno da escola pública sair para a disputa no vestibular, ele vai sair de forma desigual. O que essa reforma faz é obrigar o filho do trabalhador a ir direto para o mercado de trabalho, sem ter acesso ao ensino superior”, criticou Conceição Holanda, uma das coordenadoras do Sintepp. Ela estava entre os manifestantes que ocuparam a mesa da audiência antes de o evento começar, o que impediu a realização da audiência.
Segundo a coordenadora, esse movimento de impedimento das audiências públicas a respeito do BNCC está acontecendo nacionalmente. Educadores e estudantes de todo o país se organizam para não deixar que elas aconteçam por entenderem que esses eventos são medidas de o Governo transparecer que está levando em conta a opinião pública, sem de fato ter promovido debates sobre o assunto antes da aprovação da reforma. “O Governo tinha de ter feito isso antes. Se tivesse debatido, a reforma não tinha passado. Mas ele preferiu atropelar”, disparou. “A nossa luta é pela revogação da reforma do Ensino Médio”, finalizou Holanda.
(Arthur Medeiros/Diário do Pará)
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