Após o último sábado (18) quando tivemos o Dia D da campanha de vacinação contra a poliomielite e o sarampo, algumas pessoas procuraram os postos de saúde de Belém para cumprir a tabelinha. O que deveria ser algo fácil e rápido, virou motivo de dor de cabeça nos postos de saúde da capital paraense. Quem procurou o Ipamb (Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém) na manhã desta segunda-feira (20) foi surpreendido com um cartaz no corredor do prédio, avisando que era necessário retirar uma senhas para ser vacinado.
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“Eu cheguei e a moça disse que já tinham distribuído as senhas. Agora eu vou lá na Uepa e tentar conseguir algo lá”, lamentou Simara Souza, que levou a filha de cinco anos para tomar a tetra viral. Eram pouco mais de 9h quando ela chegou e as senhas acabaram.

(Foto: Diana Verbicaro)
Um corredor lotado de mulheres e crianças mostrava a enorme fila de quem esperava para ser vacinado e teve sorte de conseguir uma senha. A aplicação do conteúdo era feita apenas por uma funcionária.
Marcela Ferotti é mãe de uma menina de quatro anos. Na fila desde às 8h30 da manhã (eram 10h), ela reclama do sistema de distribuição de senhas que também a pegou desprevenida. “Eu vacino no Ipamb desde quando a minha filha era bebê. Antes eram dois turnos: manhã e tarde. Não tinha isso de limite de senhas. Ainda era mais rápido o atendimento”.
Ela ressalta que o sistema antigo era mais cômodo e flexível para quem buscava as vacinas antes do sistema de senhas, que também a atrasou e prejudicou seus compromissos. “Agora [o atendimento] é só pela manhã, sendo que eu sempre vim aqui a tarde, era melhor pra mim. Ainda não fui atendida. Só é uma funcionária que está aplicando as vacinas. São 40 senhas, então nem todo mundo consegue vacinar. A pessoa que chegar aqui e não estiver dentro desse limite vai ter que voltar”.
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Até mesmo quem se planejou para o próprio “Dia D” teve o dia prejudicado e precisou voltar sem a vacina. A Raimunda Souza tem dois filhos, que precisaram faltar a escola para serem vacinados. E, assim como muitos, foi surpreendida pelo novo sistema.
“Eu não sabia que funcionava assim. É porque nas unidades básicas de saúde não tinha esse limite de senha, então eu acho muito triste porque amanhã eu não posso vir. Ou seja, só vai dar quando eu tiver tempo. E o pior é que eles ficam dizendo que a campanha tá tendo pouco êxito, pouca procura, mas isso não é verdade. O SUS diz que todo o dia é dia de vacinação, mas pelo que eu tô vendo, meus filhos vão deixar de tomar a vacina hoje”, desabafa.
AUMENTO DAS SENHAS - Devido grande procura, o Ipamb acrescentou mais 10 senhas, exclusivamente, para o dia de hoje (aumentando para 50); e que, após isso, o atendimento retornará para o limite atual citado na matéria.

(Foto: Diana Verbicaro)
RESPOSTA
Em virtude de também se tratar da campanha de vacinação, foi procurada também a Sespa (Secretaria de Saúde Pública do Pará) para comentar o caso. Por meio de nota, ela informou o papel do órgão está limitado a distribuir as doses que são enviadas pelo Ministério da Saúde, e que cada município é responsável pela logística da aplicação das vacinas.
Em contato com a Sesma (Secretaria Municipal de Saúde de Belém) por telefone, foi informado que, por se tratar do Ipamb, a atribuição compete à Prefeitura de Belém.
Em nota, a Prefeitura Municipal de Belém informou que "O Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos (IASB) está, atualmente, com duas servidoras de licença maternidade e uma de férias, e, para respeitar a capacidade operacional do servidor que está realizando os atendimentos, há a necessidade de ter um limitador, neste caso, as senhas. Com isso, cada cidadão (adulto ou criança) pode receber até quatro tipos de vacinas.
Em relação ao serviço de imunização disponibilizado à população, este é fruto de uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), no entanto, o IASB não possui uma rotina de atendimento de posto de saúde, e sim, atribuições particulares de um plano de saúde, por este motivo o local não participa de eventos como o dia “D” das campanhas de vacinação. Ainda assim, disponibiliza um serviço de qualidade, com profissionais qualificados e ambiente adequado para o atendimento.
A Prefeitura de Belém reitera ainda que, o IASB tem uma forma de gerenciamento próprio que permite criar a logística de atendimento para suas demandas e rotinas, sendo ele o Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do município, que atende os servidores e seus dependentes."
(DOL)
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