Para muitos, os rios são como estradas, e algumas das viagens se tornam longas e perigosas. Inevitavelmente, o medo acompanhava os três dias de percurso o casal Vanilza Carvalho, de 53 anos, e Pedro Viana, de 68 anos, fez na última quarta-feira (12). Eles temiam que durante o trajeto de Belém até o município de Óbidos, no Baixo Amazonas, uma visita desagradável pudesse surpreendê-los: os piratas - ladrões que agem nas águas, atacando embarcações de carga e de passageiros. “Não temos segurança em lugar nenhum. Temos visto muitos casos ultimamente. A gente viaja com medo”, comenta Vanilza. “É ir e vir com fé em Deus porque o medo existe em todo mundo”, acrescenta Pedro. Somente este ano, o Grupamento Fluvial, da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), registrou aproximadamente 80 assaltos nos rios do Pará e 95% deles são ataques a balsas. De acordo com o diretor do Grupamento, delegado Dilermando Dantas, a preocupação do casal é compreensível. Afinal de contas, a região do Baixo Amazonas é uma das rotas preferidas dos ladrões. Nas regiões próximas a cidade de Macapá/AP, e em Breves, no Marajó, também são comuns os ataques. O caso mais recente aconteceu na noite da última terça-feira (11), quando quatro criminosos renderam cerca de 200 tripulantes que estavam dentro do barco J.B Garcia, que fazia o trajeto Breves – Gurupá. Esse teria sido o terceiro assalto a embarcações de passageiros registradas este ano no Marajó. “Naquela região, é mais comum assalto a balsa, onde o objetivo é o roubo de carga”, diz Dantas. Os dois primeiros roubos aconteceram no mês de maio deste ano: o barco Luiz Eduardo, quando fazia o trajeto Macapá –Gurupá; e o barco Paulo Santos, no trajeto Macapá – Portel. Nesse crime, o delegado diz os criminosos aproveitaram a escuridão da noite para atacar a embarcação e, armados, renderam os tripulantes para roubar os pertences deles, pois os assaltos a embarcações de passageiros visam o dinheiro dos tripulantes. A forma que o grupo agiu é uma estratégia utilizada por eles após um levantamento que é feito antes para que o ataque tenha êxito. “Geralmente, eles compram passagem e viajam junto com as vítimas. Aproveitam para ver se há policial dentro da embarcação, cachorro e esperam o momento exato para atacarem. Isso também ocorre quando estão em uma área onde não há sinal de telefonia para evitar a comunicação com a polícia. Eles conhecem os trechos e fogem em rabetas ou lanchas que dão apoio”, detalha Dilermando. No ano passado, foram registrados cerca de 150 assaltos a embarcações no Pará. Embora os ataques tenham acontecido, o trabalho do Grupamento Fluvial em parceria com as polícias Civil e Militar do interior, tem conseguido identificar os piratas. Como resultado disso, no mês passado 20 pessoas foram presas. Segundo o delegado Dilermando, “são pessoas conhecidas, envolvidas em vários crimes”. No caso do dia 11 de setembro, ele adianta que há pistas dos criminosos. “Assalto a embarcação é um crime diferenciado. As vítimas não têm a quem pedir ajuda, se torna emblemático. Os passageiros ficam limitados e as consequências são graves. É um tipo de crime que tratamos com muita dedicação, porém, é preciso de muita técnica para realizar as prisões, já que os ribeirinhos que podem ajudar nas investigações, têm medo de denunciar”, afirma Dantas. (Michelle Daniel/Diário do Pará)
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