Com inúmeras atividades consolidadas na capital e no interior do Estado, o turismo religioso no Pará é, definitivamente, uma realidade. Além do Círio de Nazaré, de proporções comparáveis a grandes manifestações religiosas mundiais, comemorações e festividades em outros municípios são um convite a quem busca conhecer um pouco mais sobre tantas variações de fé - e que não se restringem somente à religião católica.
“Esse tipo de turismo hoje é um fato concreto, e é o fator econômico que confirma isso. Além da quadra nazarena, temos a Marujada de Bragança, o Çairé em Santarém, o Círio de Santo Antônio, em Oriximiná, e mais uma infinidade de círios em outras localidades”, explica o professor do curso de Turismo da Universidade Federal do Pará (UFPA), Álvaro do Espírito Santo. “Cada uma dessas movimentações têm impacto na rotina das cidades, com pousadas lotadas, voos e transportes fluviais lotados, geração de emprego e renda”, explica.
Dom Irineu Roman, bispo auxiliar de Belém e referencial para a Pastoral do Turismo (Pastur) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Pastur Arquidiocesana de Belém, confirma que, em todo o Estado, não há mesmo nada com atratividade semelhante ao do Círio de Nazaré, seja para o turismo local, nacional ou internacional. “A demanda de fiéis e devotos de Nossa Senhora só tem crescido consideravelmente em termos de participação nos eventos religiosos da quadra nazarena”, justifica, destacando em seguida a grandiosidade da Festa do Glorioso São Benedito, em Bragança, na região nordeste.
A Pastur realiza inclusive um trabalho de captação desses visitantes, desenvolvendo ações de evangelização com o objetivo de aproximar o turista que viaja por motivos religiosos. “O principal ponto que move esse público é a curiosidade de querer vivenciar aquele determinado momento de fé da região visitada. Sendo assim, a Igreja procura dinamizar as várias opções de celebração do calendário litúrgico, para que o visitante tenha opções de participação e envolvimento nos eventos”, destaca o bispo auxiliar.Para o titular da Secretaria Estadual De Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) - que englobou a pasta do Turismo -, Iran Lima, o olhar para o turismo religioso é um foco da nova gestão, por significar mais uma possibilidade de vender a cultura paraense. “Temos nossas igrejas de três, quatro séculos, e outros atrativos. É um investimento na qualidade do nosso potencial turístico”, explica o secretário.
(Foto: Wagner Santana/Diário do Pará)
ROTEIRO
Alvaro do Espírito Santo lembra que, no entanto, há aspectos a serem observados pelas autoridades no sentido de proporcionar uma melhor experiência a quem se dedica a vir ao Pará com esse propósito. “O que precisa melhorar é o trabalho na área do setor produtivo empresarial. É preciso maior atuação no turismo receptivo dos eventos religiosos. Normalmente, as pessoas chegam, ficam para o dia do evento e vão embora, e podiam chegar um pouco antes ou ficar uns dias depois no local, trazendo mais retorno econômico”, opina. No entendimento do acadêmico, também é válido investir em divulgação, principalmente em redes sociais, e na articulação com agências de viagens. “A informação digital pela internet é determinante para ele, então é importante uma boa estratégia nesse aspecto”, recomenda.
Atualmente respondendo pela Secretaria de Turismo, André Dias Filho destaca o Pará como um dos estados mais religiosos do país e com um calendário de eventos de programações para o ano inteiro. Além do Círio de Nazaré, ele recomenda ainda o Círio Fluvial Noturno de Oriximiná, festividade em homenagem ao padroeiro do município, Santo Antônio, que atrai fiéis de várias partes do Brasil para a região do Tapajós. E ainda, o Círio de Vigia, na histórica cidade localizada na região do Salgado. “Marcante também é a Festividade de São Benedito, marcada por danças, louvores e procissão pelas ruas estreitas da cidade. São cerca de 40 mil pessoas reunidas no centro histórico, com homenagens ao santo, formando um mar em vermelho e branco com o tradicional traje da Marujada”, endossa, reforçando o convite do representante da Arquidiocese.
O secretário lembra que o Pará tem ligação aérea com as principais capitais brasileiras através do Aeroporto Internacional de Belém, e também dos aeroportos de Santarém e Marabá. Sem falar nos voos internacionais Belém-Lisboa, Belém-Miami, Belém-Fort Lauderdale, Belém-Caiena e Belém-Paramaribo, e nos cruzeiros marítimos.
Dom Irineu até sugere um exemplo de roteiro que pode ser feito a qualquer momento do ano e deixa o turista mais livre para vir em outros momentos que não somente o segundo domingo de Outubro. “Eu sugiro começar pelas igrejas históricas, vale ir ao arquipélago do Marajó, muito sugestivo para quem quer conhecer a região amazônica no Pará, com diversas opções de turismo ecológico”, garante. “E em um terceiro momento, há a possibilidade de turismo de base comunitária, uma nova oportunidade de fomento do turismo desenvolvido pela pastoral do turismo da arquidiocese de Belém”, sugere, citando possibilidades em Vigia, onde a Pastur oferece roteiro nas comunidades ribeirinhas e comunidades remanescentes quilombolas e no município de Colares, e nas ilhas da região do Baixo Acará, com a visitação na comunidade Itacoã Miri, prestes a receber uma expedição de profissionais do turismo para um inventário sobre o turismo religioso ainda pouco conhecido nessas áreas.
ALGUNS ATRATIVOS DO PARÁ NO TURISMO RELIGIOSO
As festividades:
l Círio de Nazaré, Belém, 2º domingo de outubro
l Çairé, em Santarém, 19 de setembro
l Festa de São Sebastião, em Cachoeira do Arari (Marajó), janeiro de 2020
l Círio de Caraparu, dezembro de 2019
l Círio de Vigia, segundo domingo de setembro
l Círio de Mosqueiro, segundo domingo de dezembro
l Marujada, em Bragança, dezembro
As igrejas
l Basílica de Nossa Senhora de Nazaré
l Igreja de Nossa Senhora do Carmo
l Igreja da Sé
l Igreja de Nossa Senhora das Mercês
l Igreja de Santo Alexandre (Museu de Arte Sacra)
l Igreja de Santana
l Igreja de São João Batista
(Carol Menezes/Diário do Pará)
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