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O FÁCIL QUE SAI CARO

Mais de um estelionato por hora no Pará

Quando a esmola é demais, o santo desconfia. O ditado é antigo, mas traz um ensinamento que deve ser praticado diariamente, principalmente para quem não quer perder dinheiro em negociações, no mínimo, suspeitas. E olha que apesar de popular, nem todo mund

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Imagem ilustrativa da notícia Mais de um estelionato por hora no Pará camera Reprodução

Quando a esmola é demais, o santo desconfia. O ditado é antigo, mas traz um ensinamento que deve ser praticado diariamente, principalmente para quem não quer perder dinheiro em negociações, no mínimo, suspeitas. E olha que apesar de popular, nem todo mundo segue à risca esta lição e acaba caindo em golpes, os estelionatos. A prática acontece quando uma pessoa tenta obter vantagem sobre outra e - na maioria das vezes - se utiliza até de fraudes para conseguir o feito.

No ano passado, a Polícia Civil do Pará registrou 11.825 casos em todo o Estado. O índice equivale a uma média de 32,84 ocorrências, por dia, de pessoas denunciando que foram vítimas de algum golpe. É mais de uma vítima a cada hora.

O estelionato é crime previsto em lei e prevê prisão de 1 a 5 anos. Caso a vítima seja uma pessoa com mais de 60 anos, a pena pode dobrar.

A prática também pode acontecer nas plataformas digitais. Para se ter ideia, por dia, mais de uma pessoa (1,23 pessoas) é vítima deste tipo de crime na internet no Pará. Foram registrados 450 casos de estelionato por meio de plataformas digitais, em 2019, segundo a Polícia Civil.

O delegado Neyvaldo Silva, que é diretor da Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), unidade especializada que investiga a maioria destes crimes, ressaltou que qualquer pessoa pode ser vítima de estelionato. “A pessoa pode comprar um produto pela internet e depois de ter pagado descobre que aquele produto não existe”, exemplificou.

“A vítima pode ser atraída por uma oferta de negócio em que acredita que pode ser vantajoso para ela”, continuou o delegado. “Ela acredita que pode comprar um carro pela metade do preço ou um celular da última geração também pela metade do preço e paga uma entrada e o ‘vendedor’, que na verdade é um estelionatário, foge com o dinheiro que recebeu da vítima”, completou o exemplo.

“GOLPE”

Popularmente essa prática recebe o nome de “golpe”, uma vez que a pessoa perde até altas quantias de dinheiro.

Na última sexta-feira (7), Neyvaldo atendeu um grupo de pessoas que se apresentaram como vítimas de um golpe aplicado por uma mesma pessoa que se apresentava como corretor de móveis e oferecia os carros para quem não tinha renda suficiente para conseguir fazer um financiamento. Alegava que tinha dinheiro e comprava os veículos com desconto numa revendedora. Por isso poderia vendê-los a preço de mercado, mas com parcelas que estivessem no orçamento dos, então, compradores.

Uma das vítimas chegou a pagar a quantia de R$ 10 mil de entrada por um carro. Outras duas pagaram mil reais cada. Uma quarta vítima pagou R$ 1.500; e uma quinta pessoa deu ao suspeito a quantia de R$ 900 reais pelos negócios. Todos tiveram os nomes preservados. Um contrato de compra e venda de carro foi registrado em cartório.

IDENTIFICADO

O suspeito foi identificado pelas vítimas como Ademir Junior Nascimento Gonçalves, de idade não divulgada. Na ocasião ele estava morando em Icoaraci, mas depois de receber os valores se mudou do local. O número de celular dele também já é tido como inexistente. Ademir já responde a processo na Justiça por crime de estelionato. Este processo tramita na 5ª Vara Criminal de Ananindeua.

Uma das vítimas chegou a ir com Ademir a uma concessionária localizada na avenida Augusto Montenegro, no último dia 30, onde teria feito a compra de um carro. Depositou os R$ 1.600 que o suspeito pediu referente a entrada e que ficou de receber o carro no último dia 4, o que não aconteceu. Ele procurou a gerente da loja que informou a ele que Ademir não depositou nenhuma entrada na conta da loja, por isso a compra não tinha sido efetivada. Segundo o depoimento da vítima, a gerente teria relatado ainda que outras pessoas já teriam sido vítimas de Ademir.

A polícia irá investigar se o funcionário da revendedora que atendeu a vítima e Ademir está envolvida com o crime de estelionato. Uma foto do suspeito foi repassada ao delegado. A reportagem não conseguiu estabelecer contato com Ademir, bem como as vítimas.

Para o delegado, ficar atento é a única forma de prevenir do golpe do estelionato
📷 Para o delegado, ficar atento é a única forma de prevenir do golpe do estelionato |Agência Pará

CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO

O delegado Neyvaldo Silva enfatizou que o estelionato é um crime contra o patrimônio, e, em qualquer forma que ele aconteça, o acusado busca atingir o patrimônio da vítima, que pode ser a casa, o carro e até o dinheiro.

Na prática, o estelionatário quer obter vantagem em cima da vítima – que, na maioria dos casos, também quer ter alguma vantagem. “A base do estelionato é a fraude. As pessoas que praticam esta conduta tentam convencer as vítimas a adquirir um produto que, em muitas vezes, esse objeto oferecido não existe”, frisou.

Desde dezembro, a Dioe investiga uma prática de estelionato que estaria sendo praticada pela Barone Investimentos. Em outubro a empresa publicou um anunciou de carta de crédito (consórcio) numa rede social. A publicidade atraiu diversas pessoas, entre elas um rodoviário que teve a identidade preservada. O trabalhador viu no consórcio a oportunidade de adquirir a casa própria. Pesquisou a empresa, viu que não havia reclamações sobre ela na internet e que estava credenciada junto à Caixa Econômica Federal.

Somando o que ele pagou de entrada no contrato e mais quantias que o vendedor pediu para conseguir validar o documento, a vítima pagou cerca de R$ 3 mil. Depois de 20 dias a vítima descobriu que o contrato não foi firmado junto ao banco e pediu o dinheiro de volta. Até hoje ele não recebeu nenhum valor.

Neyvaldo disse que o gerente da Barone já esteve na delegacia e prestou esclarecimento. Garantiu que iria resolver o problema, mas não resolveu. O delegado irá intimá-lo novamente. A reportagem não conseguiu contato com a empresa.

“A internet, às vezes, é um meio utilizado pelo estelionatário para atingir ou lesar o patrimônio da vítima. Se eu vender um produto na internet que não existe é um estelionato porque usei o meio digital para obter vantagem, no caso o dinheiro da pessoa”, explicou o titular da Dioe.

PREVENÇÃO

Para o delegado, ficar atento é a única forma de prevenir do golpe do estelionato. “As pessoas devem ficar atentas na facilidade que está sendo ofertada. Se está tendo muita facilidade naquilo que está sendo ofertado, desconfie. Uma das coisas que pode desconfiar sempre: A desproporção de valores”, orientou Neyvaldo Silva. “Estelionatários são muito criativos. Eles vão se especializando e sempre criando novas formas de dar golpes. A internet tem sido muito usada”, acrescentou.

“E é quase que impossível a pessoa ter o dinheiro de volta. E muitas pessoas quando denunciam querem reaver o dinheiro que perderam. O estelionatário quando aplica o golpe foge. Muda de endereço e telefone. Usa cadastro de telefone falso, documentos falsos”, finalizou ao citar algumas das dificuldades durante as investigações.

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