Quando o silêncio de uma casa pesa mais do que o tempo, ele costuma se alongar como ausência difícil de nomear. Em Marabá, no sudeste do Pará, essa ausência ganhou contornos concretos: uma criança de cinco anos desaparecida, 15 dias de buscas, uma mãe à espera e um pai agora foragido sob mandado de prisão preventiva, em um enredo marcado por tensão familiar e medidas protetivas descumpridas.
No último sábado (20), o desfecho parcial do caso trouxe alívio à família materna: o menino foi localizado e devolvido à mãe, após ter sido levado pelo pai no dia 4 de junho sem autorização judicial e sem retorno na data combinada. O suspeito, investigado por subtração de criança e violação de medidas protetivas, segue foragido, mesmo após ter sido identificado em outro estado.
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O DESAPARECIMENTO
O caso teve início quando a mãe registrou boletim de ocorrência após o pai buscar o filho sob a justificativa de passar um fim de semana em uma chácara. O acordo informal previa a devolução da criança no dia 6 de junho, o que não aconteceu, dando início a uma busca que se estendeu por mais de duas semanas.
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INVESTIGAÇÃO E LOCALIZAÇÃO
As investigações conduzidas pelas autoridades apontaram que o suspeito estava em Aparecida de Goiânia, em Goiás. Uma equipe policial chegou a se deslocar para cumprir a ordem judicial de prisão preventiva, expedida pela Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Marabá na sexta-feira (19), quando houve uma reviravolta no caso.
Ao perceber a aproximação das forças de segurança, o investigado decidiu realizar a devolução da criança de forma indireta, entregando o menino ao próprio advogado, que o conduziu até a Superintendência Regional de Polícia Civil em Marabá.
DEVOLUÇÃO DA CRIANÇA
Apesar do contexto de fuga, a criança foi entregue às autoridades e posteriormente encaminhada aos cuidados da família materna. Segundo informações repassadas, o menino está bem e não apresenta complicações aparentes após o período em que permaneceu com o pai.
Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de a criança ter tido o cabelo cortado durante o período em que esteve desaparecida, o que pode ter sido uma tentativa de dificultar sua identificação.
MEDIDAS PROTETIVAS E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
O mandado de prisão preventiva está diretamente ligado ao descumprimento de medidas protetivas de urgência já existentes, que proibiam contato e aproximação do investigado com a mãe da criança. O caso também envolve suspeitas de violência psicológica praticada contra ela, segundo apuração das autoridades.
O delegado Antônio Mororó, superintendente regional da Região Sudeste, destacou que o episódio se insere em um contexto de violência doméstica já judicializado. Segundo ele, ao tomar conhecimento da atuação policial e da ordem de prisão, o suspeito optou por devolver a criança antes de ser capturado pelas equipes.
FUGA E DESDOBRAMENTOS
Mesmo com a localização da criança e sua reintegração ao convívio materno, o pai continua sendo considerado foragido. Ele segue procurado pelas forças de segurança para cumprimento do mandado de prisão preventiva.
O caso mobilizou ainda o Conselho Tutelar, familiares e equipes policiais, que acompanharam as buscas e o desfecho da ocorrência.
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