A audiência de instrução do atropelamento na Augusto Montenegro começou na manhã desta quarta-feira (19/08), em Belém, com o depoimento do motorista Pablo Henrique Farias da Silva, acusado de atingir sete pessoas durante uma confusão entre torcedores de Remo e Paysandu. O caso ocorreu em 29 de maio, no km 7 da avenida, no bairro Parque Verde, e resultou na morte de quatro pessoas e deixou outras três feridas. A audiência é realizada no Fórum Criminal de Belém, sob condução do juiz Cláudio Hernandes Silva Lima.
Além do réu, 22 testemunhas que presenciaram ou possuem informações sobre o atropelamento foram relacionadas para depor nesta fase do processo. O promotor de Justiça Nadilson Portilho Gomes acompanha a sessão por videoconferência.
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DEPOIMENTOS PODEM ESCLARECER O QUE ACONTECEU

A audiência de instrução tem como objetivo reunir provas e ouvir pessoas que possam contribuir para esclarecer a dinâmica do episódio. Os relatos devem ajudar a Justiça a reconstruir os acontecimentos que antecederam o atropelamento, o momento da colisão e o que ocorreu posteriormente.
A confusão entre torcedores teve início em outros pontos de Belém e avançou para a região do Entroncamento e da avenida Augusto Montenegro. Durante o tumulto, o veículo dirigido por Pablo atingiu pessoas que estavam na via.
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Entre as vítimas estavam torcedores e também um motociclista de aplicativo e uma passageira, que, segundo relatos divulgados durante a investigação, não participavam da briga.
QUATRO PESSOAS MORRERAM APÓS O ATROPELAMENTO

O episódio provocou três mortes inicialmente. Luan Garcia Batista e Elder Martins Santos morreram no local da ocorrência. Já Jhonata Mateus Maciel Chaves foi socorrido, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
A quarta vítima foi Davi Souza Conceição, que permaneceu internado no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua. Ele morreu em 1º de junho, fazendo o número de vítimas fatais chegar a quatro. Os quatro mortos tinham ligação com uma torcida organizada do Remo.
RÉU DIZ QUE TENTOU ESCAPAR DE CONFUSÃO
Desde os primeiros depoimentos, Pablo Henrique Farias da Silva apresenta uma versão segundo a qual teria tentado fugir do tumulto antes de perder o controle do automóvel.
Quando foi preso, o motorista foi inicialmente autuado por homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal dolosa. A investigação, porém, posteriormente passou a considerar uma acusação de maior gravidade.
POLÍCIA MUDOU ENQUADRAMENTO APÓS INVESTIGAÇÃO
Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil do Pará indiciou Pablo por homicídio doloso qualificado pelas quatro mortes.
O novo enquadramento representa uma diferença importante em relação à autuação realizada no momento da prisão. Enquanto a defesa sustenta que o motorista tentava escapar da confusão, a investigação passou a apontar para uma hipótese de conduta intencional.
As provas produzidas durante o inquérito e os elementos reunidos no processo serão analisados pela Justiça para definir os próximos passos.
SOBREVIVENTES RELATAM MOMENTOS DE TENSÃO
Antes da audiência, sobreviventes também foram ouvidos pela Polícia Civil. Entre eles está um motorista de aplicativo e Renata Fitel, passageira da motocicleta atingida pelo veículo.
Árbitra de futebol e educadora física, Renata contou que voltava para casa quando encontrou a confusão na Augusto Montenegro. Ela sofreu ferimentos graves, precisou passar por duas cirurgias e ficou internada durante vários dias.
Segundo o relato apresentado à época, o veículo avançou contra o grupo e atingiu a motocicleta em que ela estava. Depois da colisão, Renata caiu em uma vala e afirmou ter sido alvo de agressões verbais de pessoas que estavam na região.
PERÍCIAS FAZEM PARTE DA APURAÇÃO
Desde o início da apuração, a Polícia Civil informou que solicitou perícias e depoimentos de testemunhas para esclarecer como ocorreu o atropelamento.
Nem todos os detalhes dos laudos periciais foram divulgados publicamente, e também não há confirmação suficiente sobre quais documentos técnicos já foram incorporados formalmente ao processo.
Vídeos registrados depois do atropelamento circularam nas redes sociais. As imagens mostram pessoas tentando prestar socorro às vítimas e o veículo parado na avenida, mas a utilização desses registros como prova pericial nos autos não foi confirmada publicamente.
CASO PODE CHEGAR AO TRIBUNAL DO JÚRI
A audiência de instrução é uma etapa destinada à produção de provas antes das próximas decisões judiciais. Depois dos depoimentos, acusação e defesa deverão apresentar suas manifestações, enquanto o juiz analisará os elementos reunidos no processo.
Como Pablo foi indiciado por homicídio doloso qualificado, o caso poderá ser submetido à análise sobre eventual encaminhamento ao Tribunal do Júri, caso sejam preenchidos os requisitos legais para uma decisão de pronúncia. Contudo, até o momento, não há uma data pública definida para um eventual julgamento pelo júri.
FAMILIARES FIZERAM ATO POR JUSTIÇA

A tragédia também provocou manifestações de familiares, amigos e integrantes de torcida organizada. No dia 5 de junho, um grupo realizou um ato na própria avenida Augusto Montenegro, próximo ao local do atropelamento, para cobrar respostas e pedir justiça pelas vítimas.
Durante a manifestação, familiares contestaram a versão de que o motorista teria agido somente para escapar da confusão. Testemunhas apresentaram diferentes relatos sobre os acontecimentos que antecederam a colisão.
Essas versões deverão ser confrontadas com depoimentos, perícias e demais provas reunidas ao longo do processo.
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