Amanheceu fechada ontem, com uma corrente e cadeado na porta, a casa invadida na madrugada do último domingo, e que serviu de palco para quatro assassinatos, na ocupação Nova Esperança III, bairro Cabanagem, periferia de Belém. Na rua, com a chegada da reportagem do DIÁRIO DO PARÁ, os moradores entraram em suas casas e ninguém quis se manifestar sobre o assunto. A rua ficou deserta. Uma dona de casa, por trás da janela de sua residência, disse que em todoa a ocupação não tem policiamento. O local é de risco e que quem aparece, pode morrer nas mãos dos bandidos que comandam a área.
Os corpos das vítimas estavam sendo velados em duas casas, na Estrada Nova, no bairro do Jurunas, onde também se encontravam os sobreviventes da chacina, inclusive o bebê de três meses.
As vítimas são, Paulo Roberto Ribeiro Ferreira, 42 anos, e sua filha Rafaela Conceição Pereira Ferreira, 18, sendo velados em residência da mãe dele na passagem Santa Fé, Estrada Nova, Jurunas. Mizaías, 17, e seu irmão Miller Vaz da Silva, 20, o “Ferrugem”, companheiro de Rafaela, eram velados em uma vila próxima, na residência dos pais. O bebê que sobreviveu está com a família de Rafaela. Ele chora muito, porque se alimentava apenas com o leite materno.
O caso, logo no início da manhã de ontem, foi repassado pelo delegado João Carlos do Carmo, da Seccional da Marambaia, para a Delegacia da Cabanagem, onde será apurado através de inquérito instaurado no final da manhã.
Segundo a delegada Isabel Cristina, titular da unidade, já está sendo providenciada a solicitação de prisão preventiva para o principal acusado do delito, e também para seus dois cúmplices, identificados apenas por vulgos, mas seus nomes já estão sendo apurados.
A chacina e seus motivos
Segundo o delegado João Carlos do Carmo, Antônio Kleiton Melo de Almeida, 19 anos, que seria o pivô da chacina, compareceu uma hora após os crimes, em sua presença na Seccional da Marambaia.
Foi ele quem registrou as mortes e identificou o principal responsável pela chacina. Disse que se trata do assaltante e traficante de drogas Dileno José Ferreira de Souza, 19 anos. Seus comparsas são conhecidos por “Cebira” e “Bocão”. Todos foragidos da Justiça.
Investigadores da Seccional da Marambaia e Divisão de Homicídios, na manhã de ontem, confirmaram as afirmações de Kleiton.
O delegado do Carmo ouviu em depoimento Antônio Kleiton, que disse que mantinha uma animosidade com Dileno. Este jogou galanteio para a esposa de Kleiton, que foi tomar satisfações, houve ofensas entre ambos, e logo, ameaças de morte. Daí, iniciou-se a animosidade entre os dois.
Segundo o delegado, aparentemente, essa rixa foi o motivo do crime. Vingança. Ele destacou a barbárie cometida.
Citou a criança de 3 meses, que por pouco não morreu debaixo da mãe, sufocado com o sangue dela, que caía em seu rosto. Disse o delegado: “Ela morreu defendendo, com o corpo, o próprio filho”.
A despedida dos familiares
Os familiares se despediram de Paulo Ribeiro Ferreira, 41; Rafaela Conceição Pereira Ferreira, 18; Miller Vaz da Silva, 20, e Mizaías Vaz da Silva, 17, assassinados em uma chacina na madrugada de domingo. Os corpos das vítimas foram velados até a tarde de ontem em locais distintos. Tristeza e esperança de se fazer justiça eram os sentimentos dos parentes e amigos. “A polícia já sabe quem são os autores dessa violência. Espero que consigam agarrá-los e fazer justiça”, desabafou o irmão de uma das vítimas.
O corpo de Paulo e da filha Rafaela foram velados na residência do irmão da vítima na passagem Fé em Deus. Os irmãos Mizaías e Miller ficaram em um comitê partidário sob os cuidados do padrasto e da mãe também no mesmo bairro.
Um parente contou que oito pessoas estavam dormindo na residência quando foram surpreendidas pelo bando, somente três pessoas conseguiram escapar. “Kleiton é casado com minha sobrinha Fabiana que conseguiu fugir. A esposa do meu irmão também conseguiu sair da casa, salvando a filha da Fabiana e Kleiton, um bebê de dois meses”.
O irmão de Paulo Ferreira disse acreditar na justiça porque as vítimas são pessoas que não têm um envolvimento com a criminalidade. “Meu irmão é trabalhador. Ele e a esposa vendiam CDs. Todos que morreram são inocentes”.
Também abalado com a brutalidade dos bandidos, o padrasto de Miller disse que o enteado era trabalhador e deixou uma filha órfã. “Miller e Rafaela eram casados há pouco tempo e deixaram um bebê de três meses que ficou na casa da bisavó. O irmão Mizaías veio de Igarapé-Miri passar as férias com a família. Miller tinha conseguido um trabalho fixo em uma loja”.
O enterro de Paulo e Rafaela aconteceu no final da tarde, no cemitério Parque Nazaré, no bairro do Tapanã. Os irmãos Mizaías e Miller devem ser enterrados hoje no cemitério do Bengui.
Visita
Mizaías Vaz da Silva, 17 anos, há cinco anos não via a mãe, pois residia em Igarapé-Miri. Ele chegou no final de semana e foi para casa do irmão. Ao amanhecer do domingo, iria para o bairro do Jurunas, abraçar a mãe. (Diário do Pará)
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