A vítima, de 15 anos, foi atingida com sete facadas e ficou gravemente ferida
Uma disputa por quem dispunha de maior popularidade, simplesmente por uma questão de vaidade, de '“ego”, pode ter sido o estopim de um lamentável caso de esfaqueamento ocorrido na manhã de ontem, que envolveu duas estudantes de um colégio localizado no bairro do Jurunas, em Belém. Felizmente, a vítima não corre risco de morte, mas o fato assusta pela proporção da agressividade.
Segundo os relatos de alunos, os portões do colégio Opção, que fica na avenida Roberto Camelier, haviam sido abertos às 7h45 quando a agressora, uma adolescente de 16 anos (estudante da 8ª série do Ensino Fundamental), entrou na escola e caminhou em direção à sala de aula que estuda diariamente. Ao chegar ao local, a jovem empunhava uma faca de mesa, com a qual desferiu vários golpes em outra adolescente, de 15 anos, também colega de classe. A agressão foi realizada sob a presença de um aluno.
Logo em seguida, a agressora retirou-se rapidamente da sala de aula e percorreu o pátio do colégio. No lado de fora, conforme testemunharam alguns alunos, a adolescente apanhou um táxi e fugiu. Por outro lado, o desespero tomou conta da estudante agredida, que deliberadamente passou a gritar por socorro. Um coordenador da escola, um professor e alunos correram para ajudar e, imediatamente, solicitaram um táxi e a jovem foi levada para o posto de saúde do bairro do Jurunas.
Mais tarde, a adolescente ferida foi encaminhada para o Pronto-Socorro Humberto Maradey, o PSM do Guamá. Lá, foi constatado que a estudante foi atingida por sete facadas, sendo duas nas costas, duas no ombro, duas em um dos braços e uma na boca. Apesar disso, os ferimentos não ocasionaram considerável gravidade e a vítima foi liberada ainda na manhã de ontem.
MOTIVO DA AGRESSÃO
Em sua residência, perante a imprensa, a vítima revelou que, na noite de anteontem, ela e um grupo de amigas discutiram com a adolescente que lhe agredira posteriormente. A discussão aconteceu dentro de um posto de combustível, no bairro do Jurunas. Ainda de acordo com a vítima, a agressora atirou em sua direção uma garrafa de cerveja.
Ontem mesmo, logo depois do episódio, alunos do Opção comentaram diante da reportagem do DIÁRIO que existe uma rivalidade entre as duas adolescentes há algum tempo. O motivo seria o fato de que ambas, de forma pretensiosa, almejam adquirir admiração, por conseguinte, “fama”, mediante os demais alunos da escola.
APRESENTAÇÃO
A mãe da agressora compareceu à Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data), da Polícia Civil, e garantiu à delegada Rosana Rojas, responsável pelo registro do boletim de ocorrência sobre o caso, que iria localizar sua filha e apresentá-la o mais rápido possível na referida unidade policial.
A delegada, por sua vez, já colheu os depoimentos das pessoas que prestaram socorro e do pai da vítima, de maneira que sejam anexados aos autos de apreensão da adolescente autora da agressão.
SOCORRO
A mãe da jovem agredida, Ana Maria Veiga, denuncia que teria havido omissão de socorro por parte de Geraldo Cardoso, coordenador da escola. O acusado teria hesitado em disponibilizar seu veículo para transportar a jovem ferida.
Escola do Guamá registra outro caso de violência
Dando continuidade no caso de violência nas escolas, já por volta de 10h de ontem, uma adolescente, de 13 anos, foi agredida no interior da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Igarapé-Miri, no bairro do Guamá, em Belém. Por motivo banal, a garota teve o rosto todo arranhado e, na tarde de ontem, foi registrar ocorrência, na companhia do pai, na Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data).
Completando 14 anos hoje, a adolescente agredida falou à equipe do DIÁRIO sobre os momentos de desespero que viveu. Ela foi agredida por tentar proteger uma amiga.
Tudo começou na manhã de anteontem, quando alunas do ensino médio resolveram “matar” aula em sua turma, 8ª série. A coordenadora compareceu à sala de aula e retirou os alunos que não faziam parte da turma e ainda perguntou se havia mais alguém que não fosse da classe.
Justamente, a amiga da adolescente de 13 anos se pronunciou e apontou para a aluna que não pertencia à turma. Com isso, ontem a jovem prejudicada resolveu se vingar.
“Eu percebi que elas estavam apontando para a minha amiga e para evitar confusão eu puxei a minha colega e pedi que voltássemos para a nossa sala, nessa hora ela me pegou e começou a agressão. Arranhou o meu rosto e ainda bateu a minha cabeça em uma coluna de madeira”, relembrou a adolescente.
Após a cena de violência, as duas foram levadas para a direção da escola, mas o pai da adolescente, Claudemir da Conceição Almeida, não deixou por menos e foi registrar boletim de ocorrência na Data. O pai estava indignado e triste com a situação em que a filha se encontra.
“Ela é uma menina calma, não se envolve em confusão, apesar de gostar de estudar ela não quer mais voltar para essa escola e ela tem razão. Nem eu quero, pois não sei o que pode acontecer com ela daqui pra frente”, falou o pai com lágrimas nos olhos.
LIÇÃO
A adolescente mora só com o pai, pois sua mãe já é morta, e sobre tudo o que lhe ocorreu, por meio da imprensa, ela deu uma lição aos jovens de hoje, no momento em que foi questionada sobre qual é o seu desejo para esse aniversário.
“Eu desejo que esses jovens mudem, pois eles usam a violência para chamar atenção, eu queria também que os pais passassem mais educação aos seus filhos, pois eu fico olhando esses filhos violentos que não obedecem, que não conhecem a realidade”, finalizou a adolescente.
MEMÓRIA - CASO CONDURU
Em junho de 2008, Edilene dos Santos Gonçalves, de 18 anos, matou a facadas Soraya Barbosa Marinho, de 15, dentro da sala de aula. Elas já vinham discutindo tempos antes do fatídico dia, mas um desentendimento por conta de um caderno e de um alizante de cabelo teria sido o estopim do ataque. Soraya foi esfaqueada com uma faca de cozinha nas costas e no pescoço. Edilene foi julgada e condenada a 21 anos de prisão em regime inicialmente fechado. (Diário do Pará)
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