Uma arbitrariedade. Uma injustiça. É assim que a família do preso de justiça Alessandro Pereira dos Santos, de 27 anos, que se encontra encarcerado na Seccional Urbana do Guamá, vê na manutenção da detenção, mesmo com todas as evidências de que ele seria inocente, conforme destacou o DIÁRIO em sua edição de 1º de agosto deste ano.
Alessandro Pereira dos Santos é um dos muitos trabalhadores que ganham a vida labutando o dia inteiro pelas ruas e becos do bairro da Terra Firme, vendendo água mineral para sustentar a mãe e o restante da família, quando foi acusado por uma mulher de tê-la assaltado, roubando R$112,00 que recebe do Bolsa Escola. Contudo, no momento em que foi preso, o acusado estava na porta da casa dele e possuía R$ 120,00, todas notas de R$ 20,00, que seriam da distribuição dos garrafões de água. Já a vítima tinha duas notas de R$ 50,00, uma de R$ 10,00 e uma de R$ 2,00.
O caso foi parar nas mãos do delegado Clóvis Oliveira, experiente policial com mais de 30 anos de Polícia Civil, que, mesmo com as provas contrárias apresentadas em favor do acusado, teve que cumprir a lei atuando Alessandro Pereira porque a vítima insistia em reconhecê-lo como ator do delito.
Com exclusividade, o DIÁRIO ouviu Alessandro Pereira dos Santos na madrugada do dia 30 de julho, na carceragem da Delegacia da Terra Firme. No dia seguinte, já autuado em flagrante delito, a mulher que o acusara compareceu à Delegacia da Terra Firme para dizer que “se enganou” e que o acusado não a tinha roubado.
A partir de então, o sofrimento da mãe Ana Pereira de Santos só estava começando. Um dos irmãos do acusado, no quarto dia de prisão, subiu no telhado da igreja de São Domingos, bem em frente à Delegacia da Terra Firme, e num gesto extremo cortou um dos pulsos e ameaçava se jogar para sensibilizar a justiça a soltar o irmão Alessandro Pereira.
O caso foi parar nas mãos do juiz Heyder Tavares da Silva, titular da 1ª Vara de Inquéritos Policiais e Medidas Cautelares, em exercício, que, diante do fato em decisão interlocutória, manteve a prisão de Alessandro Pereira dos Santos.
O DIÁRIO teve acesso aos autos e, no dia 10 de agosto passado, quando o juiz Heyder Pereira, mesmo com o deferimento atendido pelo Ministério Público, em que o advogado pedia a liberdade provisória do acusado, o manteve preso alegando em seu despacho que “foi amplamente veiculado e divulgado que a vítima teria se arrependido e voltado atrás quanto ao reconhecimento que fez do réu. Porém, a autoridade policial, consultada, informou que na realidade a vítima não compareceu à delegacia para negar seu reconhecimento anterior, mas sim houve ligações telefônicas para a delegacia em que uma pessoa, que dizia ser a vítima, informava que se arrependia do reconhecimento”, diz a peça.
O advogado Tiago Cunha, que defendeu o acusado, ingressou novamente com pedido de revogação da prisão, juntando documentos e testemunhos de vizinhos e de quem conhecia a vida que levava Alessandro Pereira, e o caso esta agora nas mãos do juiz Marcos Alan de Melo Gomes, que deve analisar o caso. (Diário do Pará)
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