É em uma casa de alvenaria de pouco mais de quatro cômodos na periferia de Belém que a mãe e pai de Dileno José Ferreira de Souza, de 19 anos, acusado de ser o mentor da morte de quatro pessoas de uma mesma família, ocorrido na madruga do último dia 8, domingo, na invasão Nova Esperança II, na Cabanagem, estão escondidos.
O motivo de terem se refugiado em uma casa de parentes é por conta das fortes ameaças de morte que vem sofrendo de moradores e traficantes da área, revoltados com a chacina.
A família do assassino aceitou conversar com reportagem do DIÁRIO desde que os nomes, os rostos e o local onde estão escondidos, não fossem revelados. Tanto a mãe, quanto o pai de Dileno Souza estão inconformados com a brutalidade com o que o acusado tirou a vida das quatro pessoas e poupou apenas a vida de um bebê de três meses, que por pouco não morreu sufocado com o sangue da própria mãe.
“Eu não sei porque ele fez isso”, dizia o pai. A mãe de Dileno, que sofre de problemas cardíacos, não conseguia conversar com ninguém, pois segundo sua irmã, ela chora a todo o momento.
“Eu não quero falar. Eu não aguento. Ele acabou com a minha vida”, dizia ela aos prantos. O pai do acusado, mesmo abalado, aceitou dizer os motivos pelo qual estão com medo da situação.
“Eu sai de casa só com a roupa do corpo porque o pessoal queria invadir a minha casa para matar eu e minha esposa por causa dessas mortes. Eu perdi meus clientes e ninguém pode saber onde estamos. Infelizmente, o Dileno acabou com a vida da mãe dele”, dizia ele com lágrimas nos olhos e gaguejando por conta do nervosismo.
O encontro do DIÁRIO com os pais do assassino só foi possível graças a uma denúncia repassada ao comandante da 5ª ZPol, capitão Amarantes, de que Dileno José Ferreira de Souza estaria escondido no quarto dessa residência onde seus pais foram encontrados.
Com a chegada da polícia, os pais de Dileno ficaram mais nervosos, mas não impediram que a equipe do Rota Cidadã 190 acompanhasse o trabalho dos policiais militares. Ao entrarmos na casa, encontramos os pais do acusado conversando com um pastor de uma igreja evangélica no qual estão pedindo apoio para poderem superar essa difícil fase da vida. “A denúncia dizia que o Dileno estava aqui, mas ele não apareceu, e nem sabem onde ele está”, explica o capitão Amarantes.
Segundo o pai e a tia de Dileno, o acusado não tem mantido contato com a família e que é por este motivo que sua mãe está abalada. “Nós não sabemos onde ele está. Ele não liga para nós e se soubéssemos onde ele estaria agora, contaria para a polícia”, enfatiza o pai que ainda disse ter medo de receber a notícia informando que Dileno foi morto, como aconteceu com o “Claudinho”, um dos envolvidos na chacina, durante uma troca de tiros com a polícia.
Crime foi vingança de um homicídio
Ao contrário do que foi dito pela imprensa local durante o ocorrido, a tia de Dileno (foto) negou que as mortes das pessoas de uma mesma família tenham sido resultado de uma rixa entre Clayton e Dileno por conta de “galanteio”. Ela informou, com exclusividade, que o crime aconteceu por conta de uma vingança em que Dileno já havia se comprometido em fazer contra o Clayton.
“Isso não foi por causa de mulher. A revolta do Dileno é porque o Clayton matou o meu filho com mais de 17 facadas com a ajuda de uma mulher dele. E o Dileno vivia dizendo que um dia se vingaria do Clayton”, explica com detalhes a tia do assassino.
A promessa de Dileno foi cumprida e quando o acusado, acompanhado de mais comparsas (identificados como “Baby”, “Sebira”, “Bocão” e “Claudinho”) foram até a casa de Clayton para matá-lo, ainda chegaram a atirar várias vezes contra ele, mas o alvo conseguiu fugir pulando o forro do banheiro, mesmo ferido. Porém, a sua família acabou sendo morta no lugar dele.
“Eu não esperava que isso fosse possível. Nunca pensei que o Dileno faria isso”, conta a tia. A mãe do Dileno chora todas as vezes em que ouve as pessoas comentando sobre o crime.
“Ele acabou com a minha vida. Aí meu Deus, por que isso?”, chora. “Eu espero que ele (Dileno) reflita sobre a besteira que fez e que pense na mãe, pois queremos que ele se entregue antes que seja morto por alguém ou pela polícia”, apela o pai. Antes de deixarmos a casa, pergunto a mãe se ela quer mandar algum recado ao filho e ao virar as costas chorando, ela grita dizendo: “Eu quero que ele se entregue e suma da minha vida de vez!”.
A polícia ainda está investigando o caso e espera colher mais pistas sobre o paradeiro de Dileno José Ferreira de Souza. Até agora, somente Adelson da Vera Cruz, 21, vulgo “Bocão” e Raimundo Nonato Reis Cunha, ex-policial militar, suposto fornecedor das armas usadas na execução foram presos.
“A gente conta com o apoio da população para fazer denúncias sempre que tiver informações sobre o local onde Dileno está escondido”, pede o capitão Amarantes.
Denuncie
Denúncias podem ser repassadas para os telefones: (91) 8182-1875 (Interativo 5ª ZPol - Marambaia); para o 190 (Ciop) ou para o 181 (Disque Denúncia). A pessoa não precisa se identificar. (Diário do Pará)
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