Permanece preso o vereador Janil Macedo Martins (PDT), 34 anos, que chegou a ser convocado para assumir a prefeitura da cidade de Curralinho, no Marajó, mas acabou preso antes da posse. O delegado Newton Brabo, que efetuou a prisão, informou na tarde de ontem, por telefone, que o pedido de habeas corpus solicitado pelo advogado do vereador teria sido negado pela Justiça.
“O advogado dele, Luis Carlos Corrêa, chegou hoje (ontem) e solicitou o pedido, mas já tive a informação de que o juiz Cornélio José Holanda, negou”, informou o delegado Newton Brabo, responsável pelo caso. Com relação à transferência do vereador para o município de Breves, o delegado também afirmou que não ocorreria.
As investigações permanecem para saber se a mãe da menina sempre foi conivente com as agressões do vereador contra a adolescente de 12 anos. Já que ela mesma declarou durante depoimento à polícia e também ao Conselho Tutelar do município, que sempre sofreu agressões do tio e a mãe nunca fez nada para impedir.
PRISÃO
Após a última agressão, o vereador foi preso em flagrante pelo crime de cárcere privado e maus-tratos. Ele estava no trapiche da orla do município, tudo indica que tinha a intenção de fugir, já que sabia que a polícia estava à sua procura. Durante a prisão, o delegado informou que ele estava com sintomas de embriaguez e chegou a dar declarações grosseiras à polícia.
CRUELDADE
As cenas de maus-tratos e de violência contra a adolescente de 12 anos foram descritas em termo de informação do Conselho Tutelar do município, para ser enviado ao promotor Márcio Leal Dias, do Ministério Público. Os conselheiros Hélio Chaves, Elienai Amaral e José Maria Alves, relataram no documento, com riqueza de detalhes a respeito da condição de crueldade que a adolescente vivenciou.
Na noite do último domingo, por volta de 18h, a menina saiu de casa sem avisar a ninguém, ela foi a casa de uma amiga e depois seguiu para a praça principal da cidade. Com isso, a tia da menina chegou na casa e não encontrou a adolescente, em seguida, chegou a mãe da menina. As duas passaram a procurar a adolescente e tiveram conhecimento de que ela estava na praça.
A vítima das agressões retornou para casa já por volta de meia-noite, quando ela chegou foi ameaçada pela tia que o tio, no caso o vereador, ia saber do que havia acontecido. Com medo, a adolescente fugiu para uma área de mato, no quintal do avô. O tio Janil e demais pessoas foram atrás da adolescente e ela foi levada para a casa.
Foi quando mais um episódio de violência contra a garota teve início, além de receber vários socos e chutes pelo corpo, o vereador teria rasgado a roupa da garota e passou pimenta por todo o corpo da menina, inclusive nos olhos e em órgão genital. Depois da sessão de tortura, a mãe da menina resolveu levar a filha para o banheiro e deu banho na adolescente.
Em seguida, o vereador já apareceu com uma algema e prendeu o braço da menina no “pé” da cama. De acordo com o auto de flagrante, a algema pertence a um cabo da Polícia Militar chamado José. Já por volta de 3h, a mãe da adolescente foi até a residência da ex-companheira do vereador, para que ele fosse retirar a algema do braço da menina, pois ela já estava machucada. Ele foi até a casa e só teria afrouxado e algemou os braços da jovem, conforme mostra a foto obtida com exclusividade pelo DIÁRIO.
A adolescente só foi liberada quando policiais civis e militares chegaram à residência, na manhã de segunda-feira, por volta de 11h.
Posse
Por ser primeiro-secretário da Câmara, o vereador Janil Martins iria assumir a Prefeitura de Curralinho pela primeira vez. Porém, foi preso antes de assumir, o que ocorreria na terça-feira. Ele recebeu a ordem da posse interina às 19h de segunda-feira, mas o parlamentar acabou preso às 22h. (Diário do Pará)
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