A frieza e crueldade foram facilmente detectadas por policiais civis do Grupo de Polícia Metropolitana (GPM), durante o interrogatório de Michel Amorim da Silva, 22 anos. Preso na manhã de ontem no bairro da Terra Firme, em Belém, ele confessou mais de 30 homicídios por acertos de conta e motivos banais.
Conhecido como “Cara de Lata”, ele despertou a atenção da polícia pelo envolvimento em vários crimes, porém as ameaças feitas por ele no início deste mês mudaram o rumo das investigações. Ele fazia parte de um bando que se refugiava no distrito do Outeiro, responsável pelo tráfico de entorpecentes na Terra Firme e por vários assaltos, levando a população a denunciar o paradeiro do bando que teve seu líder, vulgo “Rafinha”, morto durante uma troca de tiros com os policiais e mais cinco comparsas presos.
A morte da liderança foi o motivo que gerou várias ameaças, que inclusive facilitaram a identificação de Michel da Silva, pois ele fez várias ligações para o Ciop, com ameaças de vingança através da morte do delegado Eder Mauro, além do resgate dos presos nas seccionais do Marco e São Brás. A última vez que ele se manifestou foi há aproximadamente 15 dias atrás, quando ele ligou mais uma vez para o Ciop afirmando que iria efetuar disparos nas dependências da Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA) e jurando de morte o jornalista Joaquim Campos.
CONFISSÃO
Michel, o encadernador de jornais, foi preso em flagrante por uma guarnição da Rotam na passagem Santa Helena, portando um revólver calibre 38. Sem saber que estava sendo gravado, Michel “Boca de Lata” decidiu contar um pouco dos crimes que já participara aos investigadores Gilson e Rubens, deixando todos que estavam presentes atônitos. Ao contrário do que havia dito aos jornalistas que estavam na operação, onde contou que só havia tido envolvimento em duas mortes, Michel relatou que já matou aproximadamente 30 pessoas no bairro da Terra Firme e que a maioria dos homicídios era por encomendas, com valores que variam de R$ 100,00 a R$ 800,00. Todos os crimes com requintes de crueldades e planejamento.
No depoimento gravado com exclusividade pela equipe do Rota Cidadã 190, Michel Amorim contou que entrou no mundo do crime por conta das drogas e que só começou a matar pessoas após ter entrado para uma facção criminosa comandada por um traficante conhecido por “Tanda”, que já foi executado durante disputa pelo ponto de droga, por uma outra facção comandada por “Jackson”, que queria dominar o bairro. Seu primeiro homicídio ocorreu no ano de 2005, tendo como vítima um homem identificado por ele apenas por Carlos, executando-o com dois tiros na cabeça no beco do Alemão. “Eu até hoje me pergunto o que me levou a matar esse cara”, reflete Michel.
O segundo assassinato foi em 2007, onde Diones foi morto com 13 tiros na cabeça, disparados por pistolas ponto 40 e 380, quando a vítima estava em frente ao “Bombar”, na avenida São Domingos, próximo ao canal do Tucunduba. A morte de Diones foi encomendada por “Tanda”.
No mesmo ano foi morto o bandido conhecido por “DCO”, na passagem Nossa Senhora das Graças, próximo à passagem 24 de Dezembro, com 6 tiros nas costas e 4 na cabeça. Outra vítima de “Boca de Lata” foi Antônio Ferreira, vulgo “Péssimo”, em 2008. O crime ocorreu na passagem Rodrigues próximo à passagem Vilhena. “Péssimo” levou 11 tiros no rosto e 5 nas costas disparados por uma pistola ponto 40. A vítima devia dinheiro a “Tanda” por drogas compradas e o traficante pagou R$ 800,00 para Michel matá-lo.
Ainda em 2008, “Boca de Lata” tirou a vida de outro bandido conhecido por “Joãozinho”, mais uma vez por dívidas de tráfico. “Joãoziniho” foi morto dentro do bar que pertence à sua família, na rua do Bloquete, próximo à Escola Estadual Parque Amazonas, com 9 tiros de uma pistola 9mm na cabeça. “Eu atiro na cabeça para não deixar chance de vida”, confirma.
Pedrinho e Jóbson foram mais dois colocados em sua lista de homicídios. Os dois foram mortos com vários tiros por causa de uma briga do tráfico local. Para matar Jóbson, Michel recebeu de “Tanda” R$ 300. “Ele me pagava e eu o obedecia”, dizia Michel. “Thiaguinho” foi a nona vítima de “Boca de Lata”. O crime ocorreu em 2009, na rua Jacó. Quatro tiros foram disparados por um revólver calibre 38 na cabeça da vítima. A mesma arma apreendida durante a operação no bairro. O crime foi um “acerto de contas” financiado mais vez por “Tanda”, que pagou R$ 400,00 pelo serviço. Em 2009, foi a vez de “Cleitinho”, que recebeu 10 tiros na cabeça e rendeu R$ 400 ao matador.
A décima morte contada durante aproximadamente uma hora de gravação foi a de Guedson, sobrinho de Jackson, onde recebeu 6 tiros na cabeça. O crime foi por vingança, já que Jackson mandou matar “Tanda”. “Hoje eu ia atrás do Jackson. Ele deu sorte que vocês me pegaram antes de eu ir lá”, relata.
Estilo do matador
Para tirar a vida daqueles que lutam contra a facção a qual pertence, Michel, que confirmou ser filho de um conceituado jornalista da capital paraense, usa uma estratégia específica. Antes de cometer o crime, ele identifica os lugares que seu “alvo” frequenta. Se veste com roupas sociais e usa uma pasta, como se estivesse carregando um notebook, alegando trabalhar com marketing. Na cintura usa uma pistola 380 e dentro da pasta uma Ponto 40. Ele ganha a confiança da vítima e quando ela menos espera, recebe tiros disparados sempre na cabeça. (Diário do Pará)
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