Durante depoimento no II Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, a mãe do adolescente J., um dos acusados pelo desaparecimento e suposta morte de Eliza Samudio, disse que o filho foi pressionado nos depoimentos dado à Polícia do Rio de Janeiro durante a fase de inquérito. Ela foi uma das testemunhas de defesa dos acusados na audiência realizada na tarde desta quarta-feira, em Belo Horizonte.
A mãe do menor disse ainda que além da pressão da polícia, o filho teria sido forçado a falar por um “tio de consideração”. Esse homem foi quem tornou público o envolvimento do menor, em entrevista a uma rádio carioca. Segundo a mãe do adolescente, ele teria recebido uma recompensa de R$ 50 mil, oferecida a quem soubesse do paradeiro de Eliza, que era ex-amante do goleiro Bruno Fernandes.
Dois policiais civis que atenderam denúncias sobre o paradeiro da ex-amante do atleta também prestaram esclarecimentos. Um deles recebeu informações por meio de uma denúncia anônima e o outro por um morador do bairro Liberdade em Ribeirão das Neves, também na região metropolitana de BH. Ambos os policiais, porém, afirmaram que não foi encontrado nenhum indício que confirmasse as denúncias.
BOLA
O juiz titular da Vara de Precatórias Criminais de Belo Horizonte, Marco Aurelio Ferenzini, que presidiu a sessão, ouviu ainda um casa amigo do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Os dois foram bastante questionados pela defesa de um dos réus. Eles disseram que sabiam das atividades de adestramento de cães da raça rottwailler e que chegaram a presenciar a obediência que os cães tinham aos comandos dele.
Todos os nove réus compareceram à sessão. Os depoimentos ouvidos serão anexados ao processo que está em andamento na comarca de Contagem. Foram arroladas 22 testemunhas, sendo que uma delas prestou depoimento em Contagem. Das 21 restantes, 13 compareceram e cinco foram dispensadas.
Uma nova audiência foi marcada para esta quinta-feira, as 13h. De acordo com o TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), a previsão é que sejam ouvidas quatro testemunhas de defesa de Bola e mais uma de Dayane Rodrigues, ex-mulher de Bruno.
O CASO
Nove acusados estão presos por envolvimento no desaparecimento de Eliza, no início de junho. Eles respondem na Justiça por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver e corrupção de menor. Um adolescente de 17 anos está apreendido.
Já o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi denunciado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Todos negam o crime, e, se condenados, podem receber penas de mais de 30 anos.
Eliza tentava provar na Justiça que Bruno era pai de seu filho recém-nascido. Ela teria sido vista pela última vez em uma propriedade do atleta, em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte. (eBand)
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