Um repórter-fotográfico do Diário Online (DOL) foi impedido de exercer a sua liberdade de imprensa, na madrugada de hoje (25), em meio a uma ação policial ocorrida durante os festejos do encerramento da quadra nazarena.
Um major e uma aspirante a oficial da Polícia Militar, já identificados, atentaram contra o direito do repórter de registrar uma abordagem policial. Eles partiram para cima do profissional, que fazia a cobertura jornalística do fim das festividades do Círio, o ameaçaram de prisão e o imobilizaram com spray de gás lacrimogêneo.
De acordo com o Capitão Charlet, responsável pela assessoria da PM no momento, nenhuma informação oficial chegou ao comando, que somente deve tomar conhecimento do ocorrido após o meio dia, quando inicia o expediente neste feriado.
Ainda hoje, um relatório sobre todas as ocorrências atendidas na madrugada deve ser entregue ao comandante geral, Coronel Leitão. Segundo orientações da PM, o repórter-fotográfico deve registrar a agressão em delegacia, e se for confirmada a lesão corporal, será aberto procedimento na corregedoria da corporação.
A AGRESSÃO
Logo após o tradicional show pirotécnico que encerra a programação do Círio 2010, dois homens e uma mulher se envolveram em uma confusão com a Polícia Militar por volta de 0h30 desta segunda-feira (25). João Modesto, Antônio Modesto e Simone Oliveira e Silva já haviam sido liberados e subiam em um microônibus na avenida Gentil Bittencourt, no perímetro entre a travessa 14 de Março e a avenida Generalíssimo Deodoro. Eles começaram a proferir xingamentos contra a polícia.
A PM impediu a saída do veículo, e o trio apresentou resistência, sendo retirado do interior do microônibus a força. A polícia autuou os dois homens e a mulher por desacato à autoridade, e os três foram encaminhados para a Seccional de São Brás, onde o caso foi registrado.
Enquanto cumpria o seu papel, fazendo as fotos da detenção, o repórter fotográfico do Diário Online (DOL) foi vítima de dois dos policiais que atuaram na ação. Um major e uma policial tentaram impedir o registro do fato, devido à violência com que estava acontecendo a abordagem aos envolvidos na ocorrência.
Foi lançando um jato de spray de gás lacrimogênio sobre o repórter, que passou mal, mas mesmo assim conseguiu garantir o seu direito informar. O gás usado pelos policiais possui vários tipos de substâncias irritantes da pele e aos olhos, causa cegueira temporária, reações involuntárias de lacrimação, ardência, coceiras, dor de cabeça, podendo até levar à vertigens e insuficiência respiratória.
O repórter-fotográfico, por pouco não teve sua câmera confiscada pelos policiais. Eles desistiram de coagir o jornalista após consultar o comando da área. (Diário Online)
DIREITO À INFORMAÇÃO
A Constituição brasileira de 1988 determina no seu Artigo 5º que “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. É defendido que nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística, em qualquer veículo de comunicação social. (DOL)
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