Tudo de forma pacífica. Assim foi o desfecho do episódio no qual mais de 100 pessoas desocuparam dois conjuntos residenciais, que compõem a obra do PAC “Taboquinha”, no bairro do Cruzeiro, distrito de Icoaraci, em Belém. A desocupação ocorreu ao longo de toda a manhã de ontem (2) e foi promovida pelo Batalhão de Choque do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Pará, após alguns minutos de negociação com os líderes das famílias.
Os cidadãos, que atualmente residem na ocupação do igarapé “Cubatão”, entraram nos conjuntos residenciais Mestre Cardoso I e II ainda na madrugada de ontem. Pela manhã, policiais do Batalhão de Choque, liderados pelo sub-comandante major Celso Machado, foram acionados para retirar os ocupantes da área, já que a ação das famílias se caracterizava como esbulho possessório (posse indevida de propriedade).
A autoridade policial explicou qual a finalidade da presença da tropa de choque e ressaltou que não havia necessidade de um embate físico entre policiais e populares. Por outro lado, os ocupantes reivindicavam um posicionamento da Cohab no que diz respeito aos cidadãos que serão beneficiados com o projeto de habitação coordenado pela companhia. De acordo com eles, constam na lista de cadastramento nomes que, anteriormente, não estavam presentes.
Entretanto, mediante uma tranquila negociação, as famílias decidiram se retirar espontaneamente. As pessoas que ocuparam o conjunto Mestre Cardoso II, por exemplo, resolveram acampar na calçada da rua 02 de Dezembro (7ª rua). A advogada Valéria Fidélis, assessora técnica da presidência da Cohab, esteve no local e esclareceu o que pode ter impulsionado as famílias a ocuparem os respectivos conjuntos residenciais.
“Nesse projeto, que é obra do ‘PAC Taboquinha’, está previsto a construção de nove conjuntos residenciais. Até agora, três já foram concluídos: Mestre Verequete e Mestre Cardoso I e II. Ao todo, serão contempladas 976 famílias”, informou. Segundo a advogada, a emissão de posse é concedida primeiramente às famílias que residiam em áreas que já estejam sendo utilizadas como frente de serviços. “As casas da ocupação ‘Cubatão’ ficam sobre um igarapé, área que não será usada para construção”, explicou.
Ainda conforme a assessora técnica, por isso os moradores da área do “Cubatão” não figuram entre os primeiros a serem remanejados. “Eles terão que aguardar a abertura de novas frentes de serviços. Tudo isso foi comunicado a eles durante assembleia realizada aqui na área, no dia 02 de setembro”, relembrou. Por fim, a advogada informou que os conjuntos residenciais estão sendo construídos há um ano e meio, com a conclusão de todo o projeto prevista para dezembro de 2011. (Diário do Pará)
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