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POLÍCIA

Silêncio e medo no Guamá após linchamento

Dois dias após a morte bárbara de Luiz Augusto de Albuquerque, 45 anos, paira no ar um clima de dor, revolta e vergonha na família de pedreiro. “Não queremos mais falar sobre isso. Estamos sofrendo o preconceito da vizinhança”, disse a sobrinha que não

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Dois dias após a morte bárbara de Luiz Augusto de Albuquerque, 45 anos, paira no ar um clima de dor, revolta e vergonha na família de pedreiro. “Não queremos mais falar sobre isso. Estamos sofrendo o preconceito da vizinhança”, disse a sobrinha que não quis revelar o nome.

Luiz foi morto com várias facadas, pedradas e pauladas na noite de segunda-feira em uma casa abandonada na 7ª Rua da ocupação Pantanal, bairro do Guamá, em Belém.

A vítima teve a sentença de morte decretada por populares após ficarem sabendo que a filha de 13 anos teria sido estuprada por ele, na mesma noite, embaixo da ponte do canal do Tucunduba.

A família diz que todos estão muito abalados com o que aconteceu e preferem deixar o tempo passar. “Não sabemos quais as pessoas que participaram disso e nem queremos saber. Tudo está com a Justiça e com um dos nossos irmãos que está à frente do caso. As filhas dele (Luiz) estão fora daqui e tendo atendimento psicológico. A nossa mãe, que é idosa, está abalada e tomando remédio para os nervos. Por isso, não queremos mais falar sobre esse assunto”, disse a irmã de Luiz, que também não quis falar o nome.

O clima de silêncio, também, paira entre os vizinhos. Muitos moradores presenciaram o “tribunal de justiça popular”, mas preferiram dizer à reportagem do Diário que não viram o linchamento e muito menos quem participou. A equipe do DIÁRIO teve até um pouco de dificuldade para conversar com as pessoas. Muitas saíram correndo com medo. “Aqui não podemos falar nada. Mesmo se quisermos ajudar. Até o fato deu estar falando com você, pode me trazer problemas”, disse uma dona de casa.

O caso foi registrado na Seccional do Guamá e está sendo investigado pela delegada Maria Goreth. (Diário do Pará)

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