"Vai com Deus, nossa pequena luz!" A frase proferida por Clay Galvão, proprietário da escola “Pequena Luz”, representa bem o sentimento de amigos e familiares que estiveram no velório de Deivson Corrêa, de 11 anos, que foi morto por uma bala perdida na troca de tiros entre policiais e assaltantes, anteontem no Tapanã. O velório do menino foi realizado na manhã de ontem, na Primeira Igreja Batista do bairro. Os últimos momentos com a criança também foram marcados por desabafos e críticas. Emocionado, Jonielson Calandrini Ribeiro (34), pai de uma das colegas de classe de Deivson, expressou sua revolta. “Não aguentamos mais tanta violência! Pais de família daqui do Tapanã estão cansados de serem assaltados e temerem pela segurança de seus filhos. A quem devemos pedir por mais segurança? Ao governo? Não sei.”
O pastor Ruy Barata, por exemplo, concentrou suas observações em dois fatores que podem contribuir para a diminuição da criminalidade. “Urge a necessidade de termos ruas pavimentadas e mais iluminadas”. A professora Janekelly Costa do Rosário (30), que acompanhava o pequeno Deivson no momento da tragédia, relembrou instantes que antecederam o baleamento.
“Eu queria que ele ficasse na sala de aula, mas ele disse que não queria ficar. Peço perdão à família pelo que aconteceu”, lamentou, em prantos, a professora. Ele lembrou das orientações que repassava aos seus alunos, dentre eles Deivson. “Eu sempre dizia que eles não eram somente alunos, mas vidas que tínhamos. Sempre disse a eles que a mudança estava dentro deles”. E mudança era o que Deivson pretendia promover. Tal comportamento foi enfatizado pela mãe de um aluno da escola frequentada por Deivson, ao ressaltar que ele morreu quando tentava arrecadar alimentos para serem doados ontem, na 5ª rua do bairro do Tapanã. “Hoje (ontem), ele faria mais crianças felizes.” (Diário do Pará)
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