Abandonadas pelos tráfico, pelo menos dez casas com piscinas no Complexo do Alemão têm feito a alegria da garotada nesses dias de forte calor. Com a ocupação da polícia e a fuga de bandidos, meninos e meninas da comunidade ganharam acesso às áreas de lazer e passam o dia de piscina em piscina.
“Vamos agora para a piscina do Pezão”, disse uma menina de 7 anos, referindo-se ao chefe do tráfico local, para o restante do grupo que mergulhava na piscina de uma casa de três andares abandonada, na localidade conhecida como Coqueiral, onde os traficantes tinham vista privilegiada das favelas.
“Mas a do Pezão está cheia de cloro. Vamos na do Grandão”, sugeriu um menino de 9 anos.
A piscina do Grandão fica na mesma rua, onde quatro garotos já brincavam. Nem a água suja afastou a criançada.
“Agora a piscina é nossa!”, festejou um dos meninos. Entre os mergulhos, eles falaram das vantagens do morro sem traficantes armados.
“A melhor coisa é que não tem mais alvoroço de motos com traficantes armados. A gente não podia nem encostar sem querer neles que levava logo uma moca”, contou um dos meninos.
“Mas tinha um que dava até dinheiro para gente”, retrucou outro. Ao seu lado, rapidamente, o mais falante acrescentou:
“Mas ele era muito ruim. Tinha que sair da frente, se não ele passava por cima.”
BASES
O delegado Ronaldo Oliveira, diretor do Departamento de Polícia Especializada (DGPE), disse que as casas dos traficantes poderão ser transformadas em bases da polícia ou escolas. “Primeiro, vamos fazer um levantamento da situação legal das casas.”
As que tiverem registro poderão ser as futuras bases da polícia, escolas ou creches. Isso vai depender das ações sociais que forem implantadas na comunidade. O destino das casas ilegais, sem registro, caberá à prefeitura, que decidirá se elas serão demolidas ou aproveitadas. (AGÊNCIA O GLOBO)
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