O juiz Cláudio Henrique Rendeiro, presidente do 3º Tribunal do Júri da Capital, começou a ouvir desde a manhã desta segunda-feira (13), as testemunhas apontadas pela acusação e defesa, no processo criminal que responde Ezequiel Callado, 19 anos.
A audiência de instrução e julgamento do processo referente ao assassinato da estudante Cíntia Oliveira, num cemitério desativado da periferia de Belém, pode se estender pela noite. A sentença que deve determinar se o réu será ou não submetido a júri popular só será conhecida na sexta-feira (17), conforme adiantou o juiz.
DEPOIMENTOS
De 15 pessoas que estavam previstas para prestarem depoimentos, dez foram ouvidas, além do réu, que está sendo interrogado neste momento. Ezequiel responderá primeiro às perguntas formuladas pelo juiz, pelo promotor de Justiça do Caso Manoel Murrieta e por seu defensor público Rafael Sarges.
Na parte da manhã foram ouvidos os dois adolescentes, já sentenciados com medida sócio-educativa de internação por participação na morte da colega de escola. Os depoimentos dos menores foram prestados sem a presença de Callado a pedido do defensor público e do promotor, "para que os adolescentes não se sentissem pressionados", conforme explicou Rafael Sarges.
Outros três adolescentes, colegas dos envolvidos, que teriam ouvido a colega comentar sobre o delito também foram ouvidos logo após os dois menores de idade. Os depoimentos prestados pelos cinco se deram no prédio da 2ª Vara da Infância e Juventude de Belém, ao lado do Fórum Criminal (Cidade Velha).
Em seguida o juiz passou a ouvir Nancy Amorin, que chegou a ficar cerca de 60 dias indiciada por suspeita de ter planejado o crime, a diretora da escola dos adolescentes e as duas peritas que fizeram o laudo de levantamento do local do crime.
Uma adolescente, mais a merendeira da escola dos envolvidos no crime, o perito que realizou a necropsia no cadáver da estudante, além do pai da vítima que seriam ouvidos, e não compareceram à audiência, foram dispensados.
Marcus Vinicius Saraiva da Fonseca, de Porto Alegre-RS, que gravou a confissão do acusado e denunciou o caso à polícia, será ouvido através de carta precatória.
RÉU
O interrogatório de Ezequiel Callado começou por volta de 18h20. Ele era tido como líder do grupo de jovens góticos, moradores do Bengui, periferia de Belém. Os dois adolescentes declararam nos depoimentos prestados pertencer ao grupo de Callado.
Para o promotor de justiça “não há dúvidas sobre a participação do réu no crime e que este foi promovido em meio a rituais”. Mas o defensor público acredita que se tratou de crime comum e não houve a conotação “ritualística como a imprensa está divulgando”, comentou.
O CRIME
A estudante Cíntia Oliveira foi assassinada em 21 de junho deste ano, no interior do Cemitério do Bengui, periferia de Belém. De acordo com o que foi apurado pela Polícia e apontado na acusação, a vítima teria sido morta num suposto ritual do qual participaram Ezequiel Callado e mais dois adolescentes, de 15 e 16 anos. Os menores cumprem medida sócio-educativa por ato infracional (homicídio), em meio fechado aplicado pelo juizado da 2ª Vara da Infância e Juventude de Belém. (DOL, com informações do Tribunal de Justiça do Estado do Pará).
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