As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) estão cada vez mais perto de desmontar, de uma vez por todas, o esquema fraudulento usado para liberação de planos de manejo, cobrança de propina, enriquecimento ilícito e outros crimes que ocorrem dentro da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).
As prisões até agora realizadas em várias operações nos últimos dois anos, segundo um policial federal, foram suficientes para que se chegasse ao entendimento de que tudo o que ocorre na Sema em ilegalidade conta com uma articulação que também atua fora do órgão.
Por ano, o órgão autoriza a movimentação total de R$ 4 bilhões em madeira. A pressão para que os projetos sejam aprovados com rapidez faz com que alguns madeireiros andem com malas de dinheiro em espécie para corromper servidores. O caminho inverso rumo à obtenção do dinheiro fácil também é feito sem constrangimento: servidores só liberam projetos se tiverem valores antecipados em suas mãos. Em alguns casos, o balcão da propina funciona a céu aberto, em plena Lomas Valentinas, onde fica a sede do órgão. A movimentação de carros de luxo em frente ao prédio é sempre intensa durante o horário de expediente.
“Chegamos bem perto das grandes figuras que fazem funcionar essa máquina corrupta e dela se beneficiam”, revela um agente federal. No momento, diz ele, não convém prejudicar as investigações com a revelação de nomes, pois isso será feito na hora certa. O policial conta que notou grande intimidade entre os beneficiados pela aprovação dos planos de manejo e servidores cuja responsabilidade é dar andamento aos processos.
PROTESTO
A corrupção e seus efeitos danosos no serviço público, além das últimas operações da PF na Sema, levaram o Sindicato dos Trabalhadores e trabalhadoras da Gestão Ambiental do Estado do Pará - SINDIAMBIENTAL, a organizar um protesto na manhã desta terça-feira em frente ao prédio da Lomas Valentinas. Eles querem que tudo seja passado a limpo e os culpados punidos. A categoria é sacudida a cada operação, deixando indignados os trabalhadores sérios confundidos com praticantes de ilegalidades.
A entidade deverá distribuir um manifesto apoiando o trabalho da PF e do MPF. Ao mesmo tempo cobrará do governo uma reestruturação do órgão para impedir novas fraudes. (Diário do Pará)
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