O menino corria, olhando para o céu de onde vinha um dos brinquedos prediletos da molecada: a pipa. Ele queria pegar e pegou. Porém, nem pode comemorar o feito. Foi atropelado por um caminhão. Gabriel Miranda era o único filho da estudante Daniele Silva Miranda, de 27 anos, e estava desde o Natal na casa da avó, no distrito de Outeiro.
Na tarde de ontem, quando a mãe da criança se preparava para buscar o filho para passar o ano novo ao seu lado, recebeu a notícia. “Eu saí de casa correndo na esperança de salvar o Gabriel. Quando vi ele no chão, ainda tava com vida, mas o Samu demorou uma hora para chegar e foi tarde demais”.
Gabriel passou a manhã brincando na casa de um amiguinho e quando voltava para almoçar na casa da avó foi atropelado pelo caminhão da empresa Aço Belém, que iria fazer a entrega de materiais de construção, na passagem São Pedro, bairro da Água Boa. “Ele vinha de ré e com velocidade.
O menino estava olhando para o céu e correndo de costas para poder pegar a pipa. Ele foi atingido de cheio pelo caminhão. As pessoas que estavam na rua gritaram e quando disseram para o motorista que ele tinha atropelado uma criança, ele desceu do caminhão desesperado”, contou a testemunha Maria Silvana Saraiva.
De acordo com testemunhas, o motorista Luiz Antônio Aguiar Pinheiro contou que achava que tinha caído em um buraco.
Os moradores não deixaram o motorista sair do local até a chegada de uma granição da PM que o conduziu para a Delegacia de Outeiro. O delegado Carlos Ivan, supervisor da unidade policial o autuou pelo crime de homicídio culposo, quando o condutor não teve a intenção de matar a vítima. Após o pagamento de fiança estipulada em dois salários mínimos, o motorista foi liberado para responder em liberdade.
REVOLTA
Junto com Luiz Antônio estavam no caminhão mais dois ajudantes de entrega, que segundo testemunhas também vinham cantando e conversando. “Se ele viesse prestando a atenção teria visto que tinha uma criança vindo atrás. Os entregadores deveriam ter descido do carro para ajudar o motorista. Mas ficaram rindo e cantando dentro do carro e se distraíram”, disse Daniele Miranda.
EMPRESA
Os advogados da empresa Aço Belém estiveram da delegacia, mas não quiseram falar com a imprensa. Um deles apresentou um cartão para a mãe da criança e disse que se ela precisasse de ajuda que era para ligar, e foi embora. “Ele nem perguntou onde nós morávamos, nem nosso contato. Perguntou se temos plano funerário, eu disse que não, então me deu o cartão e disse para eu ligar se precisar de ajuda para o enterro”. (Diário do Pará)
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