Ao contrário do que foi amplamente divulgado na imprensa estadual acerca da descoberta de 36 litros de cachaça Pirassununga, o diretor interino do Centro de Recuperação de Marabá (Crama), Paulo Sérgio Santos Cardoso, negou ontem à tarde que a bebida tenha sido encontrada dentro daquela casa penal.
Na verdade, segundo ele, a bebida foi encontrada num matagal próximo da BR-230. O achado aconteceu no dia 31 de dezembro do ano passado, porém os outros objetos, como estoques e celulares, de fato estavam nas celas desta penitenciária.
Paulinho, como é conhecido o diretor, acredita que houve um mal-entendido por parte do delegado Vinicius Cardoso das Neves, que por sua vez informou a respeito da origem dos objetos que lhes foram entregues na
segunda-feira (3).
Comentou ainda que caso tivesse interesse em esconder alguma informação da imprensa, poderia derramar a cachaça e nem mesmo registrar ocorrência policial a respeito do caso.
Sobre o achado e a apresentação na delegacia, Paulinho informou que tudo se deu em função das festividades de final de ano. Além do mais a bebida foi localizada à noite. Os outros objetos foram apreendidos, durante revista nas celas, na segunda-feira.
“Na verdade, tudo não passou de um mal-entendido, pois caso a bebida tivesse entrado no Crama, com certeza teria sido toda ingerida no final do ano”.
SUPERINTENDÊNCIA
Não obstante à discussão em torno de local onde a cachaça foi localizada, se dentro, ou fora do Crama, o superintendente do Sistema Penitenciário (Susipe), major Francisco Bernardes, se deslocou às pressas de Belém para Marabá, ontem, para checar o que de fato aconteceu.
Ele informou que o caso deve ser remetido à Corregedoria do Sistema Penitenciário a fim de que seja apurado. Em princípio informou que o caso está sendo tratado como um mal-entendido, ou falta de comunicação entre a direção do Crama com o delegado Vinicius Cardoso das Neves, que repassou informações à imprensa.
A viagem serviu ainda para que ele fizesse um levantamento geral a respeito das condições de trabalho no Crama para que possa encaminhar tais demandas ao governador Simão Jatene.
Bernardes aproveitou para informar que é intenção do governador autorizar a construção de pelo menos uma casa penal em Marabá, inclusive o processo de licitação está sendo formatado, para assim minimizar o problema da superlotação carcerária.
CAPACIDADE
Para se ter uma ideia do problema, o Crama tem capacidade para 180 presos, porém abriga 450, enquanto no Centro de Recuperação de Marabá (CRM), há 216 detentos, sendo que a capacidade é de apenas 80 presos.
No CRM a situação é tão delicada que os presos fazem rodízio de sono, ou seja, enquanto uns dormem outros ficam acordados e vice-versa e há casos em que presos dormem no banheiro.
“A ideia é essa, levantar as demandas de todas as 37 unidades prisionais que estão distribuídas em 18 municípios”.
Ele reconhece que há superlotação carcerária em todo o Estado, que atualmente custodia cerca de 9 mil presos. “É preciso redefinir a situação e construir novas casas penais”.
A visita do superintendente estava prevista para outra oportunidade, porém a matéria veiculada na mídia estadual acelerou a vinda dele a Marabá. (Diário do Pará)
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