A mãe, de 31 anos, pediu que a filha de 10 fosse até o mercadinho comprar um lata de conserva para a família jantar, no final da noite de quarta-feira (2). “Ela ainda perguntou se iria sozinha e eu disse que era para ela ir na frente que eu tava indo”.
No caminho, quando passou em frente a casa de Carlos Augusto Santos, de 47 anos, na mesma passagem onde mora, no bairro da Cabanagem, em Belém, a criança teria sido abordada pelo vizinho e depois puxada para dentro da casa dele. “A minha filha contou que ele puxou ela para dentro, tirou a roupa dela e ficou pegando nos seios e depois se deitou em cima dela”, disse a mãe.
O abuso só não teria sido consumado até o final, porque o vizinho teria percebido quando a mãe da menina passou na frente da casa a procura da filha. “Eu cheguei na taberna e tava fechando. Ela nem chegou a comprar. Comecei a procurar, foi quando um outro vizinho me chamou e disse que viu quando a minha filha entrou na casa do Carlos e que depois ele colocou ela para fora pelo quintal e por cima do muro, para que ninguém visse”, relatou a mãe da vítima.
A mãe levou a criança para casa e a examinou com cuidado. Foi quando percebeu que o órgão genital e todo o resto do corpo da criança estariam com lesões vermelhas. Nesse momento, chamou a polícia. A guarnição do cabo Ramos Pantoja, da 5ª ZPol, conduziu o acusado para a Seccional da Marambaia.
“Ele (Carlos Augusto) não apresentou resistência e ainda disse que iria para provar que era inocente. Porém a testemunha disse que não viria. Ele estava com muito medo e falou comigo de dentro da casa, disse que a Cabanagem era um lugar muito perigoso e que não iria se comprometer”.
Na unidade policial, a mãe foi atendida pelo delegado de plantão, José Arinaldo. O depoimento dos envolvidos durou a madrugada inteira de ontem (3), porém enquanto os adultos eram ouvidos, a criança ficou sozinha sentada na área de espera da Seccional, sem nenhum apoio psicológico ou social.
A mãe temia que o delegado soltasse o acusado por falta de provas. “Ele disse que não tem provas, já que a testemunha não quer falar nada”.
O delegado contou a equipe de reportagem que não queria se precipitar. “Não quero cometer nenhum erro. Não tem nada de concreto, somente a palavra da menina que contou que o acusado esfregou o órgão nela”.
As palavras do delegado revoltaram ainda mais a mãe da criança. A criança contou a reportagem, que essa teria sido a segunda vez que o vizinho abusou dela, mas que não contou a mãe por que ficou com medo de apanhar. O relato aumentava a dor da mãe que temia pela liberação de Carlos Augusto. (Diário do Pará)
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