Vinte e nove presos da Seccional da Cremação tentaram fugir no começo da madrugada de ontem (18) e, algumas horas depois, quase repetiram a dose, causando um grande tumulto na carceragem. A situação só foi controlada no começo da tarde de ontem, após negociações.
Por volta de 1h da madrugada, os agentes prisionais Joelson Pantoja e Deusimar Dinelly, da Susipe, escutaram ruídos suspeitos, deram a volta no prédio da seccional e descobriram um buraco na parede, que fica para o lado do estacionamento. A fuga em massa foi evitada. “O barulho era da quebra da parede. Eles estavam com uma barra de ferro que retiraram da janela do corredor que dá acesso às celas. Com esse ferro eles fizeram o buraco por onde pretendiam fugir”, disse o agente Joelson Pantoja.
Investigadores e militares da 4ª ZPol fizeram o chamado “pente-fino” nas celas e descobriram uma serra escondida dentro do bocal de uma das lâmpadas. Nenhum dos presos explicou como a serra apareceu dentro da carceragem.
Do lado de fora da seccional, familiares dos presos se aglomeravam. Todos queriam saber notícias de seus filhos, maridos e namorados detidos. “Eu moro no Guamá e recebi um telefonema da namorada do meu filho contando que ele tinha fugido, mas capturado. Eu vim para cá de bicicleta. Fiquei com medo de que a Rotam estivesse aqui e maltratasse ele. Meu filho está a pouco tempo preso. Tudo por causa de más companhias.
Agora eu tenho que ficar nessa aflição como se ele tivesse ainda nas ruas”, desabafou Maria Tereza Gonçalves, mãe de um detento.
Policiais dominaram o “cavalo doido”
Sentados no cimento molhado da área externa da Seccional da Cremação, enfileirados, um atrás do outro, com as duas mãos na cabeça. Assim ficaram os 29 presos da unidade policial, no horário de almoço de ontem, após a segunda confusão protagonizada em menos de 12 horas.
Em forma de protesto, eles iniciaram uma barulheira dentro da cela. Jogaram a comida pelas grades e organizaram um “cavalo doido”, que é o uso da força humana para arrebentar as grades.
“Primeiro eles tentaram fugir, ainda de madrugada, mas aí os policiais plantonistas perceberam que algo de estranho ocorria. Eles estavam cantando muito e fazendo barulho, que é uma maneira de despistar. E agora (ontem), na hora do almoço, eles tentaram se rebelar novamente, jogaram a comida fora e tentaram arrebentar a grade”, explicou o diretor da Seccional da Cremação, Aldo Botelho.
Com isso, policiais do Comando de Operações Especiais (COE) e da Rotam foram acionados para controlar os ânimos. O major Sandro Queiroz, do COE, informou que o primeiro passo foi uma conversa com os presos. “Nós chegamos, foi feito um acordo e aí tivemos o controle da situação”, informou o major. Em seguida, os policiais retiraram os 29 presos de dentro da cela e colocaram todos do lado de fora, em uma área aberta que fica nos fundos da seccional.
Sem roupa, os presos tomaram o banho de chuva da tarde de ontem. Eles foram colocados sentados no chão e com as duas mãos na cabeça para serem revistados. Enquanto isso, uma outra equipe foi avaliar as celas e identificou dois buracos. O delegado Aldo Botelho informou que ontem mesmo foram feitos os reparos, os buracos foram fechados e as grades da cela danificada foram soldadas. (Diário do Pará)
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