Investigadores da Delegacia de Benevides evitaram uma fuga durante a madrugada de ontem (15). Os policiais ouviram barulhos no interior de uma das celas, ao entrarem na carceragem descobriram o início da construção de um túnel com cerca de um metro de diâmetro. A carceragem, que foi projetada para abrigar quatro detentos, estava com 11.
Segundo o delegado supervisor Benedito Vilhena da Silva, da Delegacia de Benevides, essa é a terceira tentativa de fuga de presos em menos de 40 dias. “A última tentativa aconteceu na sexta-feira, quando eles reclamavam da comida fornecida pela Susipe”.
“A planta original do prédio previa três celas para receber quatro detentos cada, porém, duas delas funcionam como depósitos de mantimentos, há mais de cinco anos. Apenas uma das celas está sendo usada como carceragem”, afirmou o delegado.
Ainda de acordo com o delegado, o sistema carcerário não está conseguindo acompanhar a demanda de presos que chegam nas seccionais e delegacias em virtude da atuação das polícias Civil e Militar. “Acaba acontecendo um desvio de função, e atribui à Polícia Judiciária a responsabilidade de cuidar de presos”.
Em 2002, a carceragem foi interditada por não apresentar condições de manter pessoas presas. “A cela foi lacrada pela Justiça. Como estou há pouco mais de um ano como autoridade policial, não sei a razão por que a cela voltou a ser usada para abrigar presos”.
A tentativa de fuga resultou no isolamento da cela. Desde então os presos ficaram no corredor, no espaço ainda mais reduzido, em condições degradantes. A cela fica em frente à sala de ocorrências e as pessoas passam próximas dos prisioneiros. “Enquanto um dorme, o outro fica em pé, tomamos banho a cada dois dias. Pior ainda, a “Carla Perez” (nome dado pelos presos à alimentação) tem um gosto horrível, que ninguém consegue comer. Nem um animal consegue ficar preso aqui”, contou o detento Cristiano dos Santos, que foi preso por assalto.
NOVOS CENTROS
A Susipe informa, ainda, que serão criadas novas vagas no Sistema Penal com a construção de dois novos Centros de Triagens e Centros de Recuperação, na Região Metropolitana de Belém (RMB). Com as novas vagas a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Segup) pretende retirar de todas as carceragens de delegacias e seccionais os presos sobre a custódia da Polícia Civil. (Diário do Pará)
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