Em 2010, a cada 45 dias, em média um taxista foi morto durante assalto na Região Metropolitana de Belém, segundo dados do Sindicato dos Taxistas do Estado do Pará (Stepa). Ao todo, foram oito trabalhadores que deixaram a “praça” por conta da violência. O medo do que pode acontecer em cada corrida se intensifica sobretudo à noite, quando os criminosos se sentem mais livres para agir devido a pequena quantidade de pessoas nas ruas.
Mesmo com os indicadores de índice de criminalidade em queda, segundo o Governo do Estado fevereiro de 2011 apresentou 57 homicídios a menos, se comparados a fevereiro de 2010 (foram registrados 271 casos). “Há dois anos que dependo de, pelo menos, duas pessoas para exercer minhas atividades básicas como ser humano”, conta o presidente do Sindicato dos Taxistas do Estado do Pará, Alain Castro dos Santos. Ele completa que “Em janeiro de 2009, na ponte do Jacaré, no Telégrafo, por volta das 18h, quando retornava à minha residência, após um dia de trabalho, fui surpreendido por dois elementos tentando parar meu carro para me roubar. Reagi ao assalto e fui atingido com um tiro no braço, o projétil chegou à medula e me deixou paraplégico totalmente dos membros inferiores”.
Após relembrar o momento trágico que mudou sua vida, Alain ainda ressalta os graves problemas sociais que levam indivíduos a criminalidade, geralmente são para saciar anseios banais (como roupas de grifes importadas). Além disso, são reflexos das faltas de políticas públicas, como educação, saúde e inclusão social, sobretudo, aos jovens que entram muito cedo na criminalidade.
“A insegurança está presente em todas as categorias trabalhadoras e classes sociais, do pequeno ao grande empresário. Lamentável, perceber o crescimento da população, longe do desenvolvimento”, conclui. O caso do taxista vítima de uma tentativa de latrocínio, infelizmente não é isolado. Outros taxistas afirmam que o medo e a insegurança fazem parte da rotina. Com mais de dez anos de “praça”, Márcio Barros viveu momentos de tensão ao ser drogado por um assaltante e ter seu carro roubado.
“Com uma boa aparência e bem vestidos, três homens deram o sinal para fazer uma corrida na avenida Almirante Barroso. Dois sentaram no banco traseiro e outro no carona. Como de costume, fui conversando com os passageiros, que pediram que os deixassem em uma bar na travessa Pedro Miranda”, contou a vítima.
Em uma rua deserta, do bairro da Pedreira, um dos elementos que estava no carona do veículo anunciou o assalto e enquanto outro do banco traseiro encobriu a boca e o nariz do taxista com um pano umedecido em formol. “Eu fiquei sem ver nada, tudo embaçado. Tentei tirar o pano do meu rosto e um dos rapazes segurou meus braços. Quando acordei, estava numa parada de ônibus, com várias pessoas ao redor perguntando se eu estava bem, meu carro foi encontrado no outro dia, abandonado em uma via”, lembrou o taxista.
“Estamos dialogando com a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará (Segup), para que, este ano, seja implantado o sistema de rádio-táxi em todas associações e cooperativas de taxistas e interligá-los ao sistema do CIOP, da Polícia Civil. Assim em caso de emergência ou perigo fica mais fácil e rápido acionar uma viatura”, explica Francisco Neto, diretor de imprensa e comunicação do Sindicato dos Taxistas do Estado do Pará.
“Ao todo serão 8 mil taxistas, que estarão capacitados para trabalhar em conjunto com os órgão de segurança pública, ajudando a identificar ocorrências, trazendo uma segurança alternativa para taxistas, passageiro e população em geral da capital paraense”, afirma.
Quando questionado sobre a hipótese do uso de GPS’s (Sistema de Posicionamento Global) nos carros, Francisco Neto explica que esta tecnologia ainda está distante da realidade financeira da maioria dos taxistas paraenses. “Atualmente, existem cerca de 300 associações e cooperativas de taxistas em Belém, mas apenas três fazem uso do GPS, as outras continuam trabalhando com o rádio-táxi”. (Diário do Pará)
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