O sequestro de uma criança de 2 anos e 7 meses, ocorrido na última quinta-feira (24), terminou com um desfecho surpreendente. A polícia descobriu que a própria mãe da criança estava simulando o crime. Ela alegou que estava em conflito com o marido, Valdeir Malaquias Barbosa Jr., e que fez isso para chamar a atenção dele. Porém, chegou a pedir dinheiro pelo resgate.
Bruna Cristina Carmo de Amaral, a mãe, contou com a ajuda de nove pessoas para simular o sequestro. Na quinta-feira ela pegou a filha na escola e a princípio foi para Bragança com a criança. De acordo com Luiz Xavier, titular da Delegacia de Apreensão a Roubo à Banco, cerca de dez dias antes Bruna entrou em contato com Ananda Rafaele Vieira e Hedinilce Leal Vieira para pedir auxílio no plano.
As duas, por sua vez, contrataram três homens que estavam presos em Americano. Um deles foi identificado como André Rodrigues dos Santos e os outros dois estão sendo investigados pela polícia. Os outros envolvidos são Ronaldo Gurjão Rodrigues, que se passou por esposo de Bruna para não levantar suspeitas, Gleison de Oliveira Silva, taxista que levou mãe e filha para Bragança e Raimundo do Socorro Nascimento, mototaxista que ao final do sequestro iria levar as duas para casa.
NEGOCIAÇÃO – No dia da simulação do sequestro, o pai da criança estava fora de Belém. Então, uma adolescente de 16 anos foi até uma financeira, no bairro do 40 horas, para falar com a mãe de Valdeir. “Ela foi até lá pedir o telefone, disse que uma pessoa queria falar sobre um assunto e ela forneceu o número”, disse o titular da delegacia. A partir dai, um dos envolvidos ligou e pediu que fossem colocados R$100 de crédito no celular para que pudessem fazer a negociação.
A família atendeu o pedido e a quadrilha pediu R$250 mil de resgate, sob pena de matar mãe e filha caso o dinheiro não fosse repassado. Iniciou-se um processo de investigação conjunta entre a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), o Serviço de Inteligência do Polícia e o Sistema Penal, que culminou com as prisões dos envolvidos na madrugada do sábado (26).
Os envolvidos no crime foram autuados por extorsão mediante sequestro qualificado e formação de quadrilha. A menor de idade foi encaminhada para a Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data). Após a prisão, a mãe se disse arrependida. “Eu amo a minha filha, fiz isso por amor. Eu nunca a maltrataria, só queria chamar a atenção do meu marido. Fui tola, estou arrependida”. (Diário do Pará)
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