A cena era impressionante. Debaixo da roda dianteira de um micro-ônibus da empresa Viação Forte, da linha Icoaraci-Cidade Nova, estava uma das vítimas de um duplo atropelamento ocorrido na manhã de ontem, em Ananindeua. Dandara Andréia foi atropelada ao descer de outro micro-ônibus junto com outra mulher, identificada apenas como Cláudia. Dandara ficou presa à roda dianteira do coletivo e foi arrastada por quase 10 metros de distância.
Foram os gritos de populares que alertaram Nivaldo Costa Silva, motorista do micro-ônibus da Viação Forte, sobre o atropelamento de Dandara. A imprudência dos dois motoristas dos coletivos, e uma pane nos freios do veículo conduzido por Nivaldo, teriam sido as principais causas do atropelamento, afirmou um perito do Departamento Municipal de Trânsito e Transporte de Ananindeua (Demutran).
Por volta de 8h30 de ontem o micro-ônibus da linha Distrito-Cidade Nova, conduzido por Juarez Monteiro Cardoso, parou no meio da pista da Arterial 18, na Cidade Nova, próximo a WE-40, sentido para o Coqueiro. Os passageiros começaram a descer e Dandara, Cláudia e uma vizinha de Dandara, identificada como Maria desceram primeiro. Nesse exato momento o coletivo conduzido por Nivaldo entrou para tentar fazer a ultrapassagem, mas acabou atingindo Dandara e Cláudia. O motorista percebeu o espaço entre a calçada e o micro-ônibus parado e tentou a manobra.
Cláudia ficou caída em frente à parada de ônibus e foi socorrida por populares e um soldado do Corpo de Bombeiros que estava no local. Dandara teve pior sorte, pois ficou presa a roda dianteira do micro-ônibus e foi arrastado. Alertado somente com os gritos de pessoas que estavam no local e presenciaram a cena terrível, foi que Nivaldo parou o veículo.
SOCORRO
Dandara recebeu o primeiro atendimento médico de um bombeiro que passava pelo local e era amparada por uma vizinha de nome Maria. Mesmo bastante machucada, a jovem conseguiu falar pelo celular com a família e comunicou o acidente. “Descemos do ônibus do Distrito, que estava parado, e ele veio pela beirada. Ela (Dandara) desceu primeiro e veio sendo arrastada por ele até aqui. Ele só não me pegou por que pulei na hora”, relatou a vizinha de Dandara.
Com a chegada de uma equipe do Resgate do Corpo de Bombeiros e outra do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU-192), Cláudia e Dandara receberam o atendimento necessário.
Dandara foi quem mais se machucou: suas costas e pernas ficaram bastante de feridas. Ela também apresentava suspeita de fratura na perna direita. As vítimas foram encaminhadas para o Hospital Metropolitano.
Nervoso e abalado com o acidente, Nivaldo Silva, deu sua versão sobre o atropelamento das duas vítimas. “O freio falhou. Faltou freio. Fiz ontem a ficha (relatório do veículo) relatando o problema. Hoje saí e estava normal, mas agora falhou”.
Peritos do Demutran iniciaram a perícia do local cerca de meia-hora após o duplo atropelamento. O perito José Paulo fez um rápido teste com o micro-ônibus conduzido por Nivaldo e afirmou: “O freio está querendo apresentar falha”. O laudo sobre o acidente deve sair em até 15 dias.
No momento em que era feita a perícia técnica do acidente, familiares de Dandara Andréia chegaram no local. O pai da vítima cobrou de Nivaldo a responsabilidade pelo atropelamento da filha. “Pede a Deus, reza, reza, para que nada de mal aconteça com a minha filha. Não sou eu que vou fazer (qualquer coisa), mas Deus está vendo o que fizeste”, disse o homem.
REGISTRO
Bastante nervoso, o pai de Dandara foi levado por outros familiares para o Hospital Metropolitano. Nivaldo permaneceu no local e foi orientado por agentes de trânsito do Demutran a registrar o acidente na Seccional da Cidade Nova. Ele prestou depoimento e foi liberado. (Diário do Pará)
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