O número de homicídios por arma de fogo no Estado do Pará em 2009 chegou a 68,5%. É o que aponta um estudo realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus).
Segundo a pesquisa, o índice demonstra que houve um aumento no número de casos de violência por uso de armas de fogo no Estado aliado à grande quantidade de armas que circula no Brasil.
De acordo com os dados obtidos em três anos de pesquisa, o Estado do Pará é um dos que apresentaram um grande crescimento no número de homicídios por armas de fogo. Em 2007, o índice ficava em 63,2% e, em 2008, houve um aumento para 67,5%.
Com isso, o Estado é o que apresenta o 13º maior índice de homicídios por armas de fogo do Brasil. Dentre os Estados analisados, Alagoas foi o que apresentou o maior número com 83,3% e Roraima, com 23,7%, foi o que apresentou o menor percentual.
Marabá é o quarto, entre os município com mais de 10 mil habitantes, com maior taxa de homicídios por armas de fogo a cada 100 mil habitantes. Fica atrás somente de Eunápolis (BA), 1° lugar; Lauro de Freitas (BA), 2° lugar, e Itapissuma (PE), 3° lugar.
HOMICÍDIOS
Em todo o Brasil, dos 651.189 homicídios realizados em 2009, 442.444 foram cometidos por armas de fogo, o que representa 67,9% dos casos. De acordo com a pesquisa, a partir do ano 2000, foi percebido um aumento no número de mortes por armas de fogo. Porém, foi em 2007 que houve o pico na proporção de homicídios por armas, chegando a 71,6% dos casos.
ARMAS
Estudos realizados em parceria com Ministério da Justiça, pela Subcomissão de Armas do Congresso Nacional e pela ONG Viva Rio, em 2010, apontam que cerca de 16 milhões de armas de fogo circulam, hoje, no Brasil, sendo que 8,4 milhões são legais (52,4%) e 7,6 milhões ilegais (47,6%).
Apesar de a pesquisa apresentar que a maioria das armas que circula no Brasil são legalizadas, a maior parte dos crimes no Pará são cometidos com armas ilegais. De acordo com o Delegado da Polícia Civil do Pará, Éder Mauro Barra, 99% das armas apreendidas nas operações da polícia não apresentam registro. “São armas que ou foram roubadas ou que foram adquiridas clandestinamente”, aponta.
Segundo ele, apesar da grande quantidade de homicídios por arma de fogo apresentadas na pesquisa, o Estado do Pará ainda tem um diferencial porque o “mercado negro” da região não é muito presente. “O mercado negro mesmo é mais presente no setor Sudeste. Aqui, raramente se pega bandido com armamento pesado”.
De acordo com o assessor de comunicação da Polícia Federal do Pará, Fernando Sérgio Castro, existem algumas situações que dificultam a coibição desse armamento ilegal no Estado. “Essas armas tem entrada pelas chamadas fronteiras secas ou são conseguidas através dos roubos, onde os assaltantes pegam as armas de vigilantes e policiais”.
Segundo ele, é possível identificar o responsável pela arma através do número de registro que consta no banco de dados da PF, porém, quando essa arma entra no mercado negro, a dificuldade aumenta. (Diário do Pará)
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