Uma ação de policiais militares acabou em tumulto na pracinha do conjunto Providência no bairro de Val- de-Cans em Belém. A situação começou às 12h deste domingo, após a polícia supostamente dar voz de prisão pra Roberto da Silva Velozo, que já tinha cumprido pena por tráfico de entorpecentes.
Vizinhos tentaram intervir na forma de como a polícia teria conduzido a ação e sofreram agressões. "Teve tiro e agressão, só porque os moradores não entenderam o motivo do rapaz ter sido preso. Ele tava na dele, não fazia nada pra ninguém. Um absurdo a forma que chegaram aqui pra falar com ele." contou o morador Lucivaldo que presenciou a ação.
A irmã de Roberto, que tentou saber os detalhes da prisão, denuncia que foi agredida pelos policiais sem motivos. “Chegaram me agredindo e ao meu irmão. Me ofenderam, chamaram palavrões, me deram um tapa no rosto, uma bicuda e puxaram meu cabelo. Tô com a cabeça doída de tanta força que utilizaram. Vou prestar queixa na Corregedoria e fazer exame no IML”, relatou Vanessa Cristina da Silva Velozo.
Segundo a vítima, outros vizinhos também foram agredidos e tiveram carros amassados após a ação. Um rapaz que tentou gravar imagens no celular teve o aparelho quebrado e arremessado por um dos policiais. "A policia que deve proteger os cidadãos, invadem , batem e insultam as pessoas com palavras de baixo calão, como se todos fossem bandidos. Não estou defendendo bandido, acredito que traficante deve ser preso sim, mas é prender pra manter afastado da sociedade, como manda a lei; e não para prender e soltar ou ficar perseguindo quem já pagou a sua pena. Não ficar invadindo residencias e ameaçando pessoas de bem o que foi o que eles fizeram neste caso. A policia que deve fazer cumprir a lei, também tem o dever de cumprí-la e não ter atitude arbitrária. A sociedade fica sem saber quem é bandido e quem é mocinho na história", relatou a moradora Tinna fernandes que fez imagens da conduta de policias na ação.
Nas imagens, conseguidas com EXCLUSIVIDADE pelo DOL, um policial militar aparece puxando os cabelos de uma mulher enquando pessoas tentam intervir. Outro policial aproxima-se e também tenta conter a situação. Um outro levanta o revólver e escutam-se dois tiros que segundo as vítimas foram disparados para cima.
Após o tumulto, Vanessa e o irmão foram levados para a seccional da Sacramenta para prestar esclarecimentos e em seguida foram liberados.
Em reportagem, concedida por telefone para o DOL, o tenente Reis, que comandou a operação disse que a ação foi de rotina para evitar a criminalidade do bairro. “O rapaz estava sem alvará de soltura e não estamos sabendo de agressões aos moradores. Essa moça, que estaria bêbada, teria partido pra cima de um policial e atrapalhou a ação. Por isso foi autuada por desacato e encaminhada para a seccional da Sacramenta, seguindo todos os padrões normais”, comentou. Perguntado sobre quantos policias militares estavam no caso o tenente afirmou desconhecer a quantidade. "Não sei dizer quantos estavam na ação, mas tinham algumas viaturas no local." " Essa história de agressão, de tiro é a versão dela e tenho certeza que se ela se sentiu agredida deve procurar seus direitos." finalizou.
Em sua defesa, Vanessa alega que estava retornando do hospital com a mãe e que não estava alcoolizada.
(DOL)
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