Em meados da década de 80 e até há alguns anos, frequentadores da feira livre do Ver-o-Peso e moradores da cidade de Belém ouviam falar com frequência de um local cujo nome significava perigo e causava certo temor para alguns: “A Toca do Morcego”. A “Toca do Morcego” é resultado da obra de reforma, ocorrida em 1985, na área onde está assentado o Mercado de Ferro e parte da feira. O objetivo era evitar a força da maré continuasse a desgastar o terreno, evitando assim o possível afundamento da área.
O serviço não resolveu o problema, mas criou a famigerada Toca do Morcego. Sob o piso da feira, ladrões, moradores de rua e adolescentes infratores praticavam pequenos crimes e se escondiam no local, que também servia para praticas sexuais e consumo de drogas. Durante anos foi assim até que parte da área de acesso fosse isolada pela Prefeitura de Belém.
METEOROLOGIA
Mas de algum tempo para cá, a Toca do Morcego passou a fazer parte do vocabulário de trabalhadores e frequentadores do Ver-o-Peso e da Praça do Relógio. Ontem pela manhã, outro assalto ocorreu na área. Populares presenciaram o crime e perseguiram o acusado, que conseguiu se esconder na nova Toca do Morcego. “Isso está acontecendo todo dia. Quando a maré está baixa, eles roubam as pessoas e se escondem aí porque sabem que ninguém vai entrar. Hoje de manhã teve um que se escondeu, a polícia veio, entrou e conseguiu prender. Mas agora à tarde teve outro assalto e a vítima nem quis prestar queixa”.
ASSALTO
O relato do assalto foi feito por um vendedor da Feira do Açaí, mas que por estar cotidianamente convivendo com alguns dos assaltantes, preferiu manter o anonimato. O crime a que ele se refere foi cometido por um rapaz identificado apenas como Leandro. Ele não possui documentos, mora na rua e armado de uma faca atacou uma mulher no início da tarde de ontem, na Praça do Relógio.
Leandro colocou uma faca no pescoço da vítima quando esta caminhava na rua Quinze de Novembro, próxima à avenida Portugal. Leandro roubou a bolsa da vítima e correu para a escadinha da pedra do peixe e se entocou no buraco que dá acesso à Toca.
Populares que haviam perseguido Leandro permaneceram vigiando o local até a chegada dos policiais, cabo PM Braga e os soldados Jhonnathas e Melo Silva, da 6ª Zpol. “Nós entramos no local. Com o auxílio de uma lanterna fomos penetrando e encontramos muito lixo espalhado além de ser usado para o consumo de drogas. Tateando, encontramos ele escondido e conseguimos prendê-lo”, explicou o soldado Jhonnathas.
Leandro foi conduzido para a Seccional Urbana do Comércio. Ele chegou a dizer que é maior de idade, mas não forneceu a identificação completa aos policiais. Disse apenas que seu apelido é “Rato d’água”. Ele também não contou quanto tempo estava vivendo nas ruas e preferiu manter-se em silêncio. Ele foi autuado pelo crime de roubo qualificado e vai permanecer preso aguardando a decisão da Justiça. (Diário do Pará)
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