Duas delegadas da Divisão de Atendimento ao Adolescente (DATA), responsáveis pelas investigações do caso da menor abusada sexualmente na Colônia Agrícola Heleno Fragoso, em Santa Izabel, ouvem, no início da tarde de hoje (25), uma mulher suspeita de ser a aliciadora "Anne", que levou a menina para fazer sexo com os detentos. O depoimento acontece em uma sala cedida pela Divisão de Homicídios.
O Secretário de Comunicação do Governo, Ney Messias, divulgou nota em seu twitter sobre a prisão da mulher e disse ainda que não se pode confirmar a identidade da mesma. Segundo o secretário, ela foi detida depois de uma denuncia ao 181.
RETRATO FALADO
A Polícia Civil divulgou ontem o retrato falado da acusada de aliciar mulheres para presos na Colônia. Identificada até o momento como “Anne”, a suposta aliciadora de mulheres teve a imagem do rosto elaborada a partir do depoimento prestado por uma adolescente Data.
Assinado pelo perito papiloscopista Raimundo Farias, o retrato falado foi avaliado com 80% de semelhança com a mulher investigada. Trata-se de uma pessoa de cor parda, cabelos alisados e escuros com mechas vermelhas, cerca de 1,60 metro de altura e com idade aproximada de 25 anos. Ela apresenta uma tatuagem no lado interno do antebraço esquerdo com a palavra “Tiago”. Quem souber do paradeiro da mulher, deve ligar para o fone 181 (Disque-Denúncia).
ENTENDA O CASO
Uma adolescente de 14 anos foi aliciada por uma agenciadora para praticar sexo com detentos da Colônia Agrícola Heleno Fragoso. A menor prestou depoimento e disse que estava presa há pelo menos quatro dias junto com outras três adolescentes. Ela foi levada para uma casa de apoio do Conselho Tutelar.
Benilson Silva, conselheiro tutelar responsável pelo caso, disse que as autoridades só souberam do fato depois que a adolescente conseguiu fugir do presídio estadual na manhã do dia 17 e denunciou o caso para uma equipe da Polícia Militar que passava próximo ao local. O governo do Estado exonerou os envolvidos no caso, assim como o superintendente da Susipe.
Uma comissão do Congresso Nacional, formada pelo ouvidor nacional dos Direitos Humanos, Domingos Sávio da Silveira, e Deise Benedito, assessora do gabinete da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, estiveram em Belém semana passada para verificar a situação de violação dos direitos humanos em uma casa penal do Pará. Junto com um grupo de deputados da Assembleia Legislativa, eles visitaram a Colônia.
“Não se aplicam recursos públicos federais para produzir horrores e sim para produzir uma situação de recuperação, socialização e punição, respeitando os direitos humanos. Esta não é uma situação pontual”, completou Domingos Silveira. Ele afirmou ainda que o Brasil todo se horrorizou com o episódio anterior de Abaetetuba, há cinco anos e agora, a situação se repete. A comissão acompanha de perto o caso.
(DOL)
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