A última ceia do carregador de lixo Sormano Costa do Rosário, de 28 anos, não reuniu 12 apóstolos e sim alguns vagabundos, entre eles o Judas que acabou matando o “amigo do copo” com um certeiro tiro na nuca, às margens do Igarapé do Velho, no bairro do Novo Horizonte, em Marituba, Região Metropolitana de Belém.
A vítima fazia o estilo “gente boa”, mesmo tendo sido preso há 10 anos por assalto. No entanto, estava assinando no livrão da justiça, como fez na última sexta-feira, segundo as informações prestadas à Divisão de Homicídios pela irmã Sílvia Maria do Rosário. A vítima saiu da casa onde morava, na rua Monte Carlo, no bairro Novo Horizonte, por volta das 14h de sábado, e, como de costume, pegou a “ceia” composta de um punhado de arroz, feijão, ovo e salsicha, uma garrafa de “buchudinha”, além de um pouco do solvente, que era utilizado para inalar, sendo este o vício de Sormano depois da cachaça.
Estas informações foram prestadas pela família da vítima, que tomou conhecimento do crime uma hora depois que a notícia se espalhou pela região, levando dezenas de curiosos às margens do Igarapé do Velho, lendário pelos crimes e afogamentos. O local é de difícil acesso, distante um quilômetro da única via de chegada, por dentro de uma capoeira, depois mata fechada, por um caminho cheio de obstáculos que dificultaram a remoção por parte do Instituto de Criminalística, onde os funcionários tiveram que dispensar o esquife, carregando o corpo do local até o carro de remoção, utilizando um saco plástico.
No local do crime a perícia do Instituto de Criminalística, juntamente com o delegado Lenoir Cunha, da Divisão de Homicídios, encontrou no cenário da “última ceia de Sormano” bem ao lado do corpo as roupas, comida, bebida e vestígios que sugerem a presença de mais de uma pessoa no local do crime.
Os fatos foram anotados e os vestígios coletados para as investigações. O corpo de Sormano Costa do Rosário apresentava uma perfuração de bala à altura da nuca, que pode ter provocado morte instantânea. A Polícia Militar esteve no local isolando a área até a chegada da equipe de Local de Crime da Divisão de Homicídios.
ROTA DE FUGA
Um morador da área disse ao DIÁRIO que o Igarapé do Velho já teria sido palco de outros crimes, além de ser um belo refúgio para viciados e uma rota de fuga para assaltantes que se escondem após a prática de roubos no bairro do Novo Horizonte. (Diário do Pará)
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