Desde a quarta-feira, 2, que o mecânico Daniel Neri Branco, 50, não era visto pelos vizinhos e pela irmã. Na tarde de ontem, a irmã incomodada com a ausência dele, resolveu ir até a casa onde Daniel morava, na rua Major Seda, no conjunto Catalina, bairro do Bengui. A casa estava fechada. Ela pediu ajuda a um morador próximo, arrombou a porta e se deparou com o irmão morto.
Acusado de matar Daniel a facadas, o companheiro da vítima David Marcelo Marçal Porto, 18 anos, foi preso na noite de ontem no bairro da Guanabara, depois de confessar ser o autor do crime que aconteceu na última quarta feira, 02.
David morava há oito meses com Daniel e afirmou que matou o parceiro depois de uma briga, quando a vítima quis o abusar sexualmente. “Ele quis transar comigo e eu não deixei, era só eu que podia. Ele me ameaçou e eu matei primeiro”.
O caso foi registrado na seccional da Marambaia e David foi autuado por homicídio.
DESCOBERTA
Ao entrar na casa, por volta de 15h, logo sentiu um mau cheiro. A cada passo dado o odor aumentava. Ao chegar no banheiro, viu o pé do irmão e, a partir daí, não teve coragem de dar mais passos. Na mesma hora saiu da residência e foi até um posto da Polícia Militar pedir apoio.
Uma equipe da PM se dirigiu ao local e deu início às investigações. O tenente J. Vaz, da 22ª ZPol da Polícia Militar, informou que a irmã do mecânico chegou bastante nervosa no posto policial. “Ela contou que estava sem falar com o irmão há alguns dias e resolveu ir até a casa dele, onde se deparou com essa situação”, disse o tenente.
Os policiais entraram na residência e verificaram que o corpo já estava em fase de decomposição. E ao lado do mecânico se encontrava uma faca com o cabo quebrado e suja de sangue. “Tudo indica que ele foi assassinado, mas agora vamos ter que esperar a perícia para obter as informações precisas”, declarou o tenente.
O delegado João Carlos do Carmo, da Seccional da Marambaia, esteve no local juntamente com a equipe da Divisão de Homicídio. No final dos procedimentos, o delegado informou que o corpo estava marcado por várias facadas, mas os peritos tiveram dificuldade de conferir em virtude do estado de decomposição que a vítima se encontrava.
SUMIÇO
A irmã de Daniel, que não quis falar com a equipe do DIÁRIO, informou à polícia que tinha contato diariamente com o irmão e estranhou que desde a semana passada ele não dava nenhuma notícia.
Ela passou a ligar para um funcionário do mecânico para saber a respeito dele (do irmão). “Ela disse que ligou e ele (o funcionário) falou que não estava indo trabalhar porque sofreu um golpe na perna e também não tinha informação do patrão”, declarou o tenente J. Vaz.
Uma vizinha do mecânico, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que era amiga dele há anos. “Quase todo dia a gente se falava, ele era uma pessoa muito brincalhona, eu achei estranho ele ficar todos esses dias sem abrir a oficina. Eu cheguei a pensar que ele estava viajando”, disse a vizinha.
HISTÓRICO
O mecânico morava sozinho, há oito anos, e ao lado da casa funcionava a oficina de conserto de moto. Ele era proprietário. Há muitos anos que Daniel atuava na profissão. Antes da oficina ele trabalhou com manutenção de avião. (Diário do Pará)
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