Indignação, dor e revolta marcaram o velório dos seis adolescentes executados a sangue frio em Icoaraci. Após a liberação dos corpos pelo IML, que ocorreu no início da tarde de domingo (20), as vítimas foram levadas para dois lugares diferentes.
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Os corpos dos irmãos de 12 e 14 anos e do primo deles, de 17, foram velados na casa da própria família, no bairro da Ponta Grossa. O velório dos outros três, de 15, 16 e 17 anos, aconteceu na capela mortuária da igreja matriz, no centro de Icoaraci.
Durante toda a tarde, no distrito de Icoaraci, uma multidão circulava entre os dois locais onde os corpos das vítimas eram velados. Amigos e familiares choravam e diziam não entender a causa da chacina. Segundo vizinhos dos adolescentes, eles nunca tiveram problemas com a polícia.
“A maioria deles trabalhava e ajudava em casa. Não eram meninos envolvidos com o crime. Foi muita crueldade o que fizeram com eles”, disse a tia de uma das vítimas.
A mãe dos dois irmãos executados passou mal durante o velório e teve que ser medicada. Carlos Roberto, pai dos meninos, não conseguia parar de chorar, mas fazia questão de estar ao lado dos caixões onde estavam seus filhos. Ele disse que chegou ao local da chacina minutos depois e ainda tentou socorrer o filho caçula levando para o hospital Abelardo Santos, em Icoaraci. Em vão. O rapaz morreu antes de receber atendimento médico.
“Assim que cheguei e vi meus filhos e meu sobrinho ensanguentados no chão fiquei desesperado. Pegando no corpo deles, percebi que o coração do meu filho caçula ainda estava batendo. Na mesma hora a gente correu para levar ele no hospital, mas não teve jeito. Ele acabou morrendo assim que chegamos lá”, contou o pai.
Inconformado e muito abatido, Roberto disse que os adolescentes estavam no lugar errado, na hora errada. “Tanto o meu filho como todos os meninos que morreram não tinham nenhum envolvimento com crime. Eles estavam apenas conversando, sentados aqui na rua de casa, como qualquer adolescente. Foi muita crueldade que fizeram com eles”, desabafa.
No velório dois irmãos, alguns vizinhos confirmaram a versão dada à polícia, que a execução foi realizada por dois homens numa motocicleta. “Os bandidos chegaram numa moto vermelha dizendo que eram da polícia e perguntaram se os meninos conheciam um homem que mexe com tráfico de drogas aqui na área. Quando os meninos disseram que não, os homens mandaram eles se encostarem na parede e começaram a atirar”, contou uma vizinha, que preferiu o anonimato.
FACADAS
A frieza no momento da execução assustou a todos que testemunharam o ato de violência. “Mataram inocentes de forma desumana. A crueldade foi tanta que teve um dos meninos que além de ser atingindo com um tiro no rosto, teve a cara toda furada por uma faca depois de morto”, disse um vizinho, que preferiu não se identificar.
MEDO
Na capela onde era realizado o outro velório, uma mulher disse que muitos parentes da vítima estão com medo de que os autores da chacina voltem ao local.
“Todo mundo aqui está exposto. A polícia não mandou nenhuma segurança para os velórios. Os próprios assassinos podem estar por aqui ouvindo os comentários sobre quem viu e quem não viu a execução para depois voltarem com o objetivo de matar mais gente”, alerta a mulher, que não revelou o nome.
No local onde ocorreu a chacina, em frente ao Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém (Ipamb), foi colocado um cartaz pedindo justiça. (Diário do Pará)
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