Renata mesmo vc [você] estando longe de mim vc [você] sempre vai estar comigo no meu coração onde eu for... Te amo mãe [sic.].” O bilhete assinado pelo jovem Paulo Vitor, 14 anos, foi encontrado ao acaso dentro de um caderno. Se não fosse a tragédia que tirou a vida dele e de outros cinco adolescentes assassinados na noite de sábado (19), no distrito de Icoaraci, o gesto de carinho expresso numa folha de papel seria entregue à mãe, Renata Corrêa, de 28 anos.
A mãe da vítima reside no interior do Estado e pretendia chegar à capital paraense na véspera da última terça-feira (22), para festejar em família o aniversário de 15 anos do seu filho Paulo Vitor. “Uma pessoa cruel tirou a vida do meu filho quatro dias antes do aniversário dele. Na casa da minha mãe, onde viveríamos momentos de felicidade, o medo de morrer tomou conta de todos. Minha família teme que os assassinos possam voltar para nos matar e queremos proteção policial”.
Após a tragédia, familiares e amigos das vítimas se organizaram para montar, na calçada onde o crime aconteceu, uma homenagem em memória aos seis adolescentes, vítimas da chacina. “No dia em que Paulo Vitor completaria aniversário, a família dos outros meninos se reuniram para acender velas e fazer cartazes com frases de amor, saudade e pedindo justiça”, desabafou a tia de um dos mortos, que preferiu não ser identificada.
MEMORIAL
Ontem, a espécie de memorial atraiu dezenas de pessoas para frente do prédio do Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém (Ipamb), onde os adolescentes foram mortos.
No local, vizinhos que teriam testemunhado o crime ficaram com medo de algum tipo de represália e preferiram aderir à “lei do silêncio”. (Diário do Pará)
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